Preparativos para um Grande Retorno
A espera chegou ao fim. Depois de mais de 20 anos, o Brasil voltará a ser palco de uma etapa da MotoGP. Neste final de semana, Goiânia terá a chance de mostrar ao mundo suas novas instalações no Autódromo Internacional Ayrton Senna, que passou por uma significativa remodelação. Neste sábado, pilotos e equipes médicas, além de comissários da Federação Internacional de Motovelocidade (FIM), estarão presentes para a última etapa de testes antes da corrida, marcada para 22 de março.
A trajetória até a volta da MotoGP ao Brasil foi repleta de desafios. O autódromo em Goiânia foi o cenário da estreia da categoria no país em 1987, e recebeu uma segunda edição em 1989. Interlagos, na capital paulista, contou com uma corrida em 1992, enquanto o Rio de Janeiro, no Autódromo de Jacarepaguá, abrigou a competição em sete ocasiões entre 1988 e 2004. Este último evento aconteceu antes da demolição do circuito para a construção do Parque Olímpico, sendo marcado pela presença do piloto brasileiro Alex Barros.
Desafios e Frustrações
Desde aquela época, diversas tentativas de trazer a MotoGP de volta ao Brasil falharam. O Rio de Janeiro e Brasília foram cenários de promessas não cumpridas. O projeto de um novo autódromo em Deodoro ficou apenas na expectativa. Na capital federal, a política local gerou entraves em duas ocasiões. Mais de dez anos atrás, um acordo firmado com o governo de Agnelo Queiroz não prosperou após o não retorno do político. Durante a pandemia, Brasília reabriu as negociações, com o autódromo cedido ao BRB e as reformas iniciadas, mas um golpe político em janeiro de 2023 frustrou o sonho novamente.
Uma Nova Era em 2024
Com a notícia de que Buenos Aires não renovaria seu contrato para 2026, o governo de Goiás viu uma oportunidade e contatou a Dorna, promotora da MotoGP. Apesar da desconfiança inicial dos espanhóis, a proposta goiana conquistou a confiança necessária. Em apenas cinco meses, um contrato de cinco anos foi firmado entre a Dorna e a Brasil Motorsports, responsável pela promoção de eventos como a Fórmula 1. Além disso, a temporada contará com a participação do piloto brasileiro Diogo Moura, da Pro Honda LCR.
“Sem Buenos Aires, a MotoGP ficaria sem uma corrida na América Latina. Aproveitamos esse momento. Eles elogiaram a maneira rápida e eficiente como construímos essa parceria”, afirma Adriano da Rocha Lima, secretário-geral do Governo de Goiás. O autódromo, amplamente elogiado pelos pilotos, passou por adequações que incluem a ampliação das áreas de escape e a substituição do asfalto, visando a segurança dos competidores.
Investimentos e Expectativas
O novo evento não será apenas uma corrida, mas um marco na história do automobilismo brasileiro. O autódromo possui a maior reta da temporada, que se inicia neste fim de semana na Tailândia, e a expectativa é que os pilotos atinjam velocidades superiores a 370 km/h. Para atender aos requisitos modernos da MotoGP, investimentos de aproximadamente R$ 200 milhões foram realizados, garantindo que o autódromo esteja à altura dos padrões internacionais.
Embora as obras estivessem inicialmente previstas para serem concluídas em dezembro de 2025, a vistoria da FMI demandou modificações que atrasaram a entrega. A conclusão das reformas, portanto, só ocorreu neste mês, com ajustes finais ainda em andamento.
Impacto Econômico e Social
A corrida em Goiânia promete movimentar não apenas os fãs de motociclismo, mas também a economia local. Estima-se que mais de 150 mil pessoas compareçam ao evento nos três dias, com 80% dos ingressos vendidos para visitantes de fora do estado. Os hotéis da região já estão quase totalmente ocupados, e a presença de renomados chefs na área de hospitalidade promete elevar ainda mais a experiência do público. A expectativa é de um impacto econômico superior a R$ 800 milhões, com arrecadação acima de R$ 200 milhões.
“A MotoGP é uma das grandes atrações após a Fórmula 1. O público jovem e apaixonado pela competição a torna um espaço valioso para networking, com mais de 100 empresas já adquirindo camarotes no autódromo”, finaliza Alan Adler, CEO da Brasil Motorsports.
