Nova ferramenta visa promover o cuidado e a saúde das crianças indígenas
O Ministério da Saúde deu um passo significativo na promoção da saúde de crianças indígenas ao lançar, nesta segunda-feira (19), o primeiro módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância, parte do Sistema de Atenção à Saúde Indígena (SIASI). Essa plataforma é uma importante aliada na gestão das informações de saúde dos povos indígenas.
A iniciativa visa auxiliar as equipes de saúde multidisciplinares na avaliação dos marcos de desenvolvimento infantil. Entre os aspectos monitorados estão questões neuropsicomotoras, sinais de risco para transtornos do espectro autista e a identificação de situações de vulnerabilidade, que incluem suspeitas de violência.
Putira Sacuena, Diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, ressaltou a importância da ferramenta ao afirmar que ela ajudará a fortalecer a articulação entre a atenção primária, a vigilância em saúde e o diálogo com especialistas das medicinas indígenas. “A sistematização dessas informações em saúde é um eixo totalmente estratégico para o cuidado da infância indígena, pois permite o monitoramento contínuo do crescimento e do desenvolvimento das crianças, mas, principalmente, a identificação precoce de risco e vulnerabilidades”, destacou.
Avanços na Assistência à Saúde Indígena
Até o momento, a falta de um campo dedicado ao rastreio do desenvolvimento infantil no sistema SIASI dificultava a padronização e a análise de dados. A introdução dessa nova ferramenta corrige essa lacuna, permitindo uma supervisão abrangente das crianças de 0 a 10 anos de idade.
De acordo com Juliane Azevedo, assessora técnica do Departamento de Gestão da Saúde Indígena, a partir desse novo banco de dados será possível realizar um planejamento mais eficaz na assistência à saúde das crianças indígenas. “Essa ferramenta nos auxilia a fazer uma boa gestão, melhorando a assistência à saúde indígena. Desde o teste do pezinho até os 10 anos, conseguimos rastrear possíveis doenças que podem ter reflexos na vida adulta”, afirmou.
Vanderson Brito, especialista em Saúde e Educação Escolar Indígena no Gabinete de Saúde Indígena, enfatizou que o foco principal da iniciativa é a redução da mortalidade infantil, combinando conhecimentos das ciências ocidentais com as ciências indígenas. “Qualificamos as informações para garantir a sinergia entre essas duas abordagens que estão cada vez mais visíveis e ativas no sistema único de saúde”, comentou.
Brito também destacou a importância do reconhecimento formal das medicinas indígenas como uma estratégia de cuidado e atenção à saúde. “É essencial não apenas compreender as medicinas indígenas, mas também reconhecê-las oficialmente no sistema de saúde”, enfatizou.
Organização e Logística no Atendimento de Saúde Indígena
O lançamento da ferramenta foi acompanhado por representantes dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas, que são estruturados com base em critérios etnoculturais, geográficos e demográficos. Este modelo de organização permite agrupar diferentes terras indígenas com características semelhantes, facilitando a logística e o atendimento de saúde, mesmo que não respeitem os limites de estados ou municípios.
Esse avanço na saúde infantil indígena tem o potencial de transformar a maneira como são assistidas, promovendo um cuidado mais integrado e eficaz, e refletindo um compromisso renovado com a saúde e o bem-estar das próximas gerações. Assim, espera-se que a nova ferramenta não apenas monitore, mas também contribua para um futuro mais saudável para as crianças indígenas no Brasil.
