Operação Maamaxi Xawara: Combate ao Garimpo Ilegal
Nos últimos dias, as forças de segurança do governo federal têm intensificado suas ações contra a mineração não autorizada na Terra Indígena Yanomami. O foco desta ofensiva é prevenir a volta de atividades clandestinas e garantir a desintrusão do território. A operação ganhou força a partir da instalação da base no Pelotão Especial de Fronteira de Surucucu, que proporciona uma resposta mais ágil e prolonga a presença das equipes em áreas críticas da floresta, resultando na desarticulação de operações ainda ativas do garimpo.
A operação, chamada de Maamaxi Xawara — que significa “doença do ouro” em tradução livre — ocorreu entre 16 e 31 de janeiro, abrangendo uma fiscalização rigorosa em locais como Rangel, Cascalho Velho, Maloca Paapiu, Surucucu, Xiteí, Homixi e Parima. Sob a coordenação da Casa de Governo, essa ação envolveu a Força Nacional de Segurança Pública, a Funai e outros órgãos federais, todos unidos na destruição da infraestrutura utilizada por garimpeiros que tentam reocupar o território indígena.
Resultados da Operação e Novas Estratégias
Durante o período de quinze dias, as equipes realizaram 120 ações em campo, resultando na destruição de oito acampamentos, 22 motores, seis geradores, duas embarcações, uma balsa, e ainda, oito caixas separadoras e três antenas de internet. Além disso, foram eliminados cerca de 850 litros de diesel, 305 litros de gasolina e aproximadamente duas toneladas de cassiterita. Também foram detidos três garimpeiros, que foram encaminhados à Polícia Federal em Boa Vista.
De acordo com Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo, a estratégia delineada para 2026 visa desmantelar a logística que apoia o garimpo ilegal. “Neste ano, vamos intensificar as ações de combate à logística do garimpo ilegal, tanto dentro quanto fora da Terra Indígena Yanomami. Dentro do território, as operações de varredura e monitoramento das áreas mais sensíveis continuarão, aumentando a pressão sobre os grupos que ainda persistem em ocupar a região”, declarou Tubino.
Foco na Desestruturação do Garimpo
Segundo o planejamento em andamento, a prioridade é evitar que pequenos grupos se reorganizem, cortando suas linhas de suprimentos e comunicação antes que novas estruturas sejam estabelecidas. Apesar das chuvas intensas que dificultaram os deslocamentos e os pousos de aeronaves, as equipes conseguiram localizar e eliminar acampamentos em meio à mata.
No Rangel, operações conjuntas da Força Nacional e da Funai resultaram na desativação de estruturas de extração mineral, inutilizando equipamentos e realizando prisões. No primeiro final de semana da operação, uma ação no Garimpo do Rangel destruiu motores, bombas d’água, caixas separadoras, tubulações e cerca de 100 litros de diesel, além de outros materiais de apoio às atividades ilegais. Todo o equipamento foi inutilizado no local para prevenir sua reutilização.
Importância da Base em Surucucu
Tubino ressaltou que a presença permanente em Surucucu tem sido crucial para o sucesso das operações. “A partir de Surucucu, conseguimos atuar de forma muito mais eficiente e rápida no combate ao garimpo ilegal. Esta base permanente nos permite não apenas atingir alvos mais rapidamente, mas também permanecer por mais tempo dentro do território, impedindo a reorganização dessas estruturas,” completou.
Além das ações dentro da Terra Indígena Yanomami, a operação também abrange frentes de fiscalização externas, voltadas para bloquear a logística do garimpo. Durante o mesmo período, foram realizadas 497 abordagens, incluindo a fiscalização de 287 veículos e dez postos de combustíveis, resultando em quatro autuações. O objetivo é restringir o acesso a combustíveis e transporte, ampliando o efeito das intervenções realizadas na floresta.
Resultados e Impacto das Operações
A Operação Maamaxi Xawara faz parte de uma estratégia mais ampla de desintrusão da Terra Indígena Yanomami, que teve início com a instalação da Casa de Governo em março de 2024. Desde então, as ações combinadas totalizam 9.237 operações focadas no combate ao garimpo ilegal. Segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), de março de 2024 até fevereiro de 2026, a área de garimpo detectada no território Yanomami reduziu de cerca de 4.570 hectares para aproximadamente 50 hectares, o que representa uma diminuição de quase 99%. Este monitoramento por satélite evidencia o impacto direto das ações contínuas de repressão e do bloqueio logístico implementado pelo Governo Federal.
Durante esse período, a presença constante do Comando Operacional Conjunto Catrimani II, com sub-bases no interior do território, foi essencial. As equipes realizaram patrulhamentos fluviais e terrestres, fiscalizaram crimes ambientais, destruíram pistas clandestinas e garantiram a segurança de servidores da saúde e da Funai. Com operações aéreas, fluviais e terrestres coordenadas, o governo reafirma que o combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami é um esforço contínuo, fundamentado em monitoramento, destruição de estruturas e vigilância constante, visando proteger uma das áreas mais sensíveis e protegidas da Amazônia brasileira.
