Memórias de Carnaval que Marcam a Infância
Após alguns dias enfrentando o bloqueio criativo, consegui finalmente escrever a minha coluna da semana. E com a chegada do carnaval, recordei os carnavais da minha infância em Ponte Nova, Minas Gerais. As memórias vêm com a imagem do salão de festas da Usina Santa Helena, onde meus pais trabalhavam, enquanto crianças e adultos se reuniam ao som do famoso refrão: “você pensa que cachaça é água / cachaça não é água não / cachaça vem do alambique e água vem do ribeirão”. Apesar da animação, a festa terminava cedo, por volta das 9 da noite.
Depois, a mudança para o Rio de Janeiro trouxe um carnaval mais profissional, com desfiles que pareciam intermináveis na Avenida Presidente Vargas, antes mesmo da construção do Sambódromo na Marquês de Sapucaí, que foi inaugurado em 1978. Uma das minhas experiências marcantes foi durante minha visita ao Sambódromo, onde tive a chance de cruzar com personalidades como Gisele Bündchen.
Tradicional e Inesquecível: Os Carnavais do Rio de Janeiro
Os carnavais na minha juventude foram memoráveis, desde as festividades no ginásio do Santos FC, antigo gigante do futebol, até as manhãs de folia com o Bloco Bola Alvinegra. Nesses momentos, ao lado de ídolos como Dorval e Coutinho, eu celebrava ao som de “O Bola nasceu no Santos numa noite de alegria / a turma é do barulho do amor e da arrelia…”. Pelé costumava se resguardar de participar para evitar tumultos.
No entanto, nem todos os meus carnavais foram perfeitos. Recordo de um carnaval em Barcelona, onde um guia me prometeu uma experiência semelhante à do Brasil. Embora desconfiado, acabei indo. Ao chegar, encontrei um salão mal iluminado, onde um conjunto tocava boleros e algumas canções de samba-canção – nada que se comparasse ao nosso vibrante carnaval.
O Carnaval na Alemanha: Uma Experiência Diferente
Um dos carnavais mais divertidos que vivenciei fora do Brasil foi na Alemanha. Em 1998, fui a Königstein, cidade onde minha amiga Patrícia morava com seu marido Wlamir. Ao perguntar sobre o carnaval por lá, Wlamir, com um sorriso, me garantiu que a festa aconteceria em Mainz. Chegamos cedo, e, inicialmente, não havia sinais de celebração. Porém, com o passar do tempo, as pessoas começaram a chegar fantasiadas, com chapéus e máscaras.
O carnaval naquela região era comemorado de uma forma peculiar: as pessoas se reuniam para jantar e, animadamente, retornavam para casa após as festividades. A vibração era ainda mais contagiante do que em Barcelona ou Portugal. Entretanto, não me deixem com a impressão errada sobre o carnaval alemão. Uma amiga querida, Lily, contou que, durante sua estadia em Colônia, encontrou três escolas de samba na festa.
“Chico, eu saía nas três. Era ótimo!!!”, ela me disse, revelando um lado do carnaval europeu que surpreende e encanta.
