Diálogo entre Líderes: Lula e Trump
Nova Délhi – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), manifestou a intenção de discutir com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o papel que a nação norte-americana exerce no cenário global. Durante uma coletiva de imprensa realizada em uma visita à Índia, neste domingo (22/2), Lula enfatizou a necessidade de interromper as constantes ameaças que os EUA têm direcionado a outros países, em especial ao Irã.
“Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora, estão ameaçando o Irã. É preciso pôr um fim a isso”, destacou Lula, abordando suas expectativas para o encontro. Recentemente, Trump insinuou a possibilidade de um ataque ao Irã, afirmando: “Podemos ter que dar um passo adiante, ou talvez não. Vocês descobrirão nos próximos 10 dias, provavelmente”, durante uma reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza.
O encontro entre Lula e Trump está previsto para ocorrer na segunda metade de março em Washington, nos EUA. Embora a data ainda não tenha sido definida, a conversa entre os dois líderes foi acordada em uma chamada telefônica.
O presidente brasileiro expressou que pretende aproveitar essa oportunidade para negociar e ressaltou a importância da relação que ele considera “química” entre ele e Trump. “Acredito muito em uma coisa chamada negociação. Essa química entre eu e Trump é real. O contato humano, olhar nos olhos e conversar diretamente, é essencial para resolver qualquer situação”, afirmou.
Assuntos em Pauta: Terras Raras e Relações Bilaterais
Em sua fala, Lula também mencionou outros tópicos que deseja abordar durante a conversa com Trump. Questões relacionadas a terras raras e minerais críticos estão na lista de prioridades, conforme reportado pelo Metrópoles. “Nós somos dois homens de 80 anos, e não podemos brincar com a democracia. Precisamos tratar isso com seriedade. Eu disse ao presidente Trump que é crucial olharmos nos olhos um do outro para entendermos o que queremos entre o Brasil e os EUA. Não há vetos ou limites para a negociação. Todos os temas devem estar na mesa. Se for para combater a mudança climática, estamos juntos. E se quisermos explorar minerais críticos, isso deve ocorrer com transformação no Brasil”, acrescentou Lula.
Homenagem no Carnaval: Agradecimentos e Críticas
Durante a mesma coletiva, Lula falou sobre a homenagem que recebeu da escola de samba Acadêmicos de Niterói, classificando-a como “algo extraordinário”. Ele expressou sua gratidão pela celebração que a agremiação proporcionou ao longo do Carnaval. Questionado sobre críticas feitas por evangélicos em relação ao desfile, Lula preferiu não entrar em detalhes. “Acho que a escola fez algo extraordinário. Não cabe ao presidente opinar sobre os carros alegóricos, apenas aceitar ou não a homenagem. Sou muito grato à escola, e assim que retornar ao Brasil, planejo visitá-los para agradecer”, declarou.
A ala da escola que retratou os “neoconservadores em conserva”, incluindo figuras fantasiadas de latas com rótulos que representavam uma família, gerou controvérsias e reações negativas entre evangélicos e opositores políticos. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestaram, considerando a apresentação “inaceitável” e uma “humilhação ao povo evangélico”.
