Nota de Esclarecimento Sobre Fake News e Manipulações Políticas em Mato Grosso do Sul
Um grupo de lideranças indígenas e representantes de organizações tradicionais dos povos originários de Mato Grosso do Sul expressou sua preocupação em relação à crescente onda de ataques nas redes sociais e na imprensa contra o Secretário-Executivo do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Dr. Luiz Henrique Eloy Amado, conhecido como Dr. Eloy Terena. Esses ataques, que incluem acusações sérias e infundadas, carecem de evidências robustas e não oferecem o devido direito ao contraditório, o que leva a um questionamento sobre a legitimidade das informações divulgadas.
A situação revela um comportamento típico de certos setores da política regional, que se utilizam de métodos pouco éticos para desacreditar vozes contrárias. Em resposta, as lideranças decidiram elaborar um esclarecimento público, condenando a campanha de desinformação, que é descrita como colonialista, racista e de baixo impacto político, mas que busca disseminar mentiras, injúrias e calúnias contra Dr. Eloy Terena.
Um exemplo emblemático dessa campanha ocorreu no dia 9 de janeiro de 2026, quando o portal MS Notícias publicou uma matéria assinada pelo jornalista Tero Queiroz. A reportagem, intitulada “’Ministério dos Privilégios Indígenas’: Lideranças denunciam uso político do MPI e ‘farra de diárias’ em MS”, não deve ser considerada imparcial, pois o veículo tem vínculos estreitos com o deputado federal Vander Loubet, do Partido dos Trabalhadores (PT-MS).
Esse relacionamento compromete a independência editorial do portal, principalmente em temas tão sensíveis como a política indigenista e as disputas internas de poder. A falta de um debate político transparente e a ausência de múltiplas fontes na matéria reforçam a ideia de manipulação, uma vez que não apresenta evidências concretas que sustentem as alegações feitas.
Uma Campanha Política Estrategicamente Orquestrada
As supostas “lideranças indígenas” mencionadas na reportagem estariam ligadas ao PT, o que reforça a percepção de uma articulação política contra Dr. Eloy Terena. As lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul e de outras regiões do país têm identificado esse movimento como a estratégia de parlamentares do PT, como Vander Loubet e Zeca do PT, que buscam consolidar poder e influência política por meio da deslegitimação de figuras como Dr. Eloy.
Esses ataques têm como objetivo enfraquecer a atuação do Secretário Executivo do MPI, tentando convencê-lo a se submeter às ordens e interesses de certos parlamentares do PT. As lideranças indígenas, familiarizadas com essas práticas, afirmam saber distinguir entre críticas construtivas e a manipulação política que se utiliza da mídia como um instrumento de controle.
É importante ressaltar que, dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, existem vozes que discordam do método utilizado pelos parlamentares. Nesse sentido, as lideranças indígenas reafirmam quatro pontos essenciais: primeiro, a luta dos povos indígenas não deve ser atrelada a partidos políticos; segundo, a causa indígena não pode ser usada como moeda de troca eleitoral; terceiro, veículos de comunicação com vínculos políticos não podem se apresentar como imparciais; e, por fim, a dignidade das lideranças indígenas deve ser respeitada.
Compromisso com a Verdade e a Autonomia Indígena
Com esse comunicado, as lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul reafirmam seu compromisso em defesa da verdade, da autonomia dos povos originários e do respeito às instâncias legítimas de decisão. Seguirão atentas e mobilizadas diante de manipulações que tentam deslegitimar suas vozes e suas lutas.
Esse esclarecimento é uma manifesta declaração de resistência contra as práticas políticas nocivas e a desinformação, que tentam enfraquecer a luta pelos direitos dos povos indígenas em todo o Brasil. Mato Grosso do Sul, 16 de janeiro de 2026.
Cacica Dalva Maria de Souza Ferreira Guató – Conselho de Lideranças do Povo Guató no Guadakan/Pantanal Profa. Dra. Valdelice Veron Kaiowá – Coord. e Assessora Antropológica e Política da Aty Guasu – Assembleia Geral dos Povos Guarani e Kaiowá; Kunhangue Jeroky Guasu Marangatu – A Grande Dança Sagrada das Mulheres Guarani e Kaiowá; RAJY – Movimento dos Professores Indígenas Guarani e Kaiowá; Movimento da Saúde Indígena Guarani e Kaiowá; Movimento LGBTQI+ Guarani e Kaiowá; Ex-Cacique Valcélio Figueiredo Terena – Conselho do Povo Terena, entidade da base da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
