Agressões e Vigilância: A Realidade dos Kaingangs
No dia 28 de janeiro, a equipe da correspondência local de Passo Fundo retornou à ocupação kaingang, onde, no ano anterior, realizou uma entrevista com o cacique Dorvalino Joaquim. Nesta nova visita, Dorvalino trouxe à tona a persistência da vigilância exercida pela Polícia Militar do Rio Grande do Sul, mais especificamente pela Brigada Militar (BM). O cacique relatou que essa vigilância se intensificou nos últimos sete meses: “Antes, eles passavam só à tarde, agora eles vêm aqui até à meia-noite”. O método de intimidação, segundo ele, é semelhante ao utilizado durante a primeira entrevista: as viaturas da BM circulam em baixa velocidade à frente da ocupação, frequentemente fotografando o local.
O cacique acredita que esse aumento na vigilância esteja diretamente relacionado à luta pela demarcação das terras ocupadas, que se encontra presa em um labirinto de processos demorados e burocráticos do Estado. Destaca-se que nas proximidades da ocupação existem áreas pertencentes à Brigada Militar.
Outro ponto alarmante que foi relatado à equipe de reportagem foi a destruição de um chiqueiro, uma construção levantada pela comunidade para a criação de porcos, que era um recurso vital para a subsistência local. Segundo Dorvalino, a Brigada Militar argumentou que o chiqueiro estava em propriedade de sua jurisdição.
Em um dia, seis agentes da Brigada compareceram à ocupação para conversar sobre a remoção do chiqueiro. O cacique, no entanto, negou a solicitação, afirmando que, se a estrutura estava em terras deles, não poderia ser retirada. Poucas horas após a conversa, um número dobrado de agentes, equipados com escudos, pés-de-cabra, marretas e armamento, voltou para desmontar o chiqueiro, permitindo que os porcos fugissem em meio ao tumulto.
