A Importância da Comissão da Amazônia para os Povos Originários
Juliana Cardoso assumiu, nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, a Presidência da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Para ela, essa comissão é resultado de um projeto político que emerge da luta histórica dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais, que por séculos foram deixados à margem das discussões políticas.
A nova presidente enfatiza que a criação dessa comissão é um reflexo da resistência e da mobilização de um campo político que acredita na democracia e na diversidade, além de um reconhecimento do papel essencial que a proteção ambiental desempenha no futuro do Brasil.
Defesa da Amazônia e dos Direitos Indígenas
Cardoso considera a comissão um espaço estratégico no combate à crise climática, enfatizando que a defesa dos direitos dos povos originários e tradicionais é fundamental para o país. Ela deseja que todos os grupos, incluindo ribeirinhos, quilombolas e as comunidades indígenas, se vejam representados neste espaço, que também deve abordar questões de racismo ambiental, uma pauta urgente que demanda atenção e ação efetiva.
“Esperamos que esta Comissão se torne um verdadeiro avanço nas políticas de combate ao desmatamento, ao garimpo ilegal e a todas as formas de violência contra os povos”, afirma Cardoso. Ela destaca que a luta dos ancestrais deve inspirar o trabalho coletivo, garantindo um futuro onde os povos originários possam viver plenamente, sem medo da perda de suas terras ou de violências.
O Que Está em Jogo para o Brasil?
A nova presidente expressa perplexidade em relação a quem defende o desmatamento, ressaltando que essa mentalidade tem crescido, especialmente entre setores bolsonaristas que buscam desmantelar as políticas de proteção ambiental. A aprovação do PL da Devastação, um projeto que ameaça os territórios e a vida dos povos, é um exemplo claro das ameaças que precisam ser combatidas por meio da resistência política.
“Vivemos um momento de avanços significativos. Hoje, temos o Ministério dos Povos Indígenas e outras instituições que reconhecem a importância dos povos tradicionais. Contudo, ainda enfrentamos desafios, especialmente em relação ao orçamento público e à necessidade de debater o Brasil que queremos construir”, complementa Cardoso.
Desenvolvimento Sustentável e Justiça Social
Ela defende um Brasil que valorize sua diversidade e ancestralidade, lembrando que o verdadeiro desenvolvimento não pode ser baseado na destruição. O país possui condições de investir em energia limpa e uma economia sustentável que respeite a vida e o meio ambiente, sem promover o desmatamento.
Desde a criação da Comissão em 2023, liderada por deputadas comprometidas com a causa, projetos essenciais para a defesa dos povos originários têm sido discutidos. Cardoso menciona a aprovação do PL 4566/2023, que combate a tese ruralista do marco temporal e reconhece 1500 como o ano do genocídio indígena, além do PL 2739/2025, que cria o Dia Nacional da Saúde Indígena.
Compromisso com o Futuro dos Povos Tradicionais
Durante sua presidência, Cardoso se compromete a priorizar o diálogo e a escuta ativa, além de manter uma presença constante nos territórios ameaçados. Ela garante que irá trabalhar incessantemente para defender a vida dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, assim como a conservação da Amazônia e de outros biomas vulneráveis.
“Presidir esta Comissão é mais do que uma honra. É uma responsabilidade enorme de enfrentar interesses poderosos, denunciar violações e construir consensos quando necessário”, finaliza. A mensagem é clara: defender os povos originários e a Amazônia é, sem dúvida, defender o Brasil.
