Entenda a Operação Sombras da Mata
No dia 9 de dezembro, uma grande operação policial foi desencadeada com o objetivo de prender lideranças da comunidade Pataxó, que reivindicam a demarcação da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, na Bahia. Essa ação envolveu centenas de policiais da Polícia Federal e estaduais, como a Força Nacional e a Polícia Militar da Bahia, incluindo várias unidades especializadas, em uma operação controversa denominada “Sombras da Mata”.
A operação foi motivada por um violento conflito entre indígenas Pataxó e pequenos agricultores da cidade de Itamaraju, que resultou na morte de duas pessoas e ferimentos em outra. A raiz dessa tensão está na lentidão do Estado em concluir o processo de demarcação da terra indígena e na realocação das famílias de agricultores que vivem dentro dos limites territoriais reivindicados pelos Pataxó.
Prisões em Tempo Recorde
Após as mortes, a Polícia Federal, junto com as forças policiais estaduais, agiu de maneira rápida, realizando as prisões de lideranças indígenas em um curto espaço de tempo. O caso mais emblemático foi a detenção de Joel Braz Pataxó, uma figura central na luta pela demarcação das terras. Curiosamente, a prisão de Joel se deu sem qualquer resistência. Ele foi abordado em sua residência, e a ação foi baseada em uma única declaração de um índio preso, sem qualquer evidência concreta que o incriminasse.
Observadores criticam a rapidez com que a polícia agiu neste caso, em contraste com a inação diante de abusos cometidos por pistoleiros e proprietários de terras contra os Pataxó, que frequentemente enfrentam violência em suas retomadas.
Um Líder em Luta
Joel Braz Pataxó é reconhecido como uma liderança histórica do povo Pataxó e tem se dedicado à causa da demarcação desde 1998. Ele fundou a Frente de Luta Pataxó e organizou diversas comunidades em ocupações tradicionais, promovendo a autodemarcação de terras até então invadidas por latifundiários e grileiros.
No entanto, sua trajetória é marcada por perseguições políticas, incluindo tentativas de assassinato. Em 2002, Joel se defendeu de uma emboscada, mas, mesmo agindo em legítima defesa, acabou sendo alvo de investigações incessantes do Ministério Público, liderado pelo procurador Fernando Zelada, que tem uma longa história de antagonismo contra lideranças indígenas.
O Papel Controverso do Ministério Público
O procurador Fernando Zelada tem uma reputação controversa na região, onde é acusado de agir em favor de interesses ligados a grileiros de terras. Casado com a filha de um conhecido grileiro, sua atuação tem sido amplamente criticada. Durante suas duas décadas na procuradoria, Zelada foi denunciado por perseguir líderes indígenas e trabalhadores rurais que lutam por seus direitos. Após uma pausa no caso de 2013, ele retornou ao trabalho, levantando suspeitas sobre a imparcialidade de suas ações.
Além de Joel, Zelada também esteve envolvido na prisão de Cacique Bacurau Pataxó, outro importante defensor da demarcação das terras. Sua postura em processos envolvendo militantes em manifestações sociais também levanta questões sobre a legitimidade de suas investigações.
Demandas por Justiça e Liberdade
É fundamental promover uma campanha ampla para exigir a liberdade de Joel Braz Pataxó. Não existem provas que o incriminem, e suas detenções parecem mais um reflexo da pressão política e da repressão contra os indígenas do que um esforço legítimo por justiça. O depoimento que serviu como base para sua prisão foi feito sob coação, sem a presença de assistência jurídica.
Joel é um símbolo de resistência entre os Pataxó, unindo esforços com trabalhadores sem-terra na luta contra a exploração fundiária. As tensões no conflito em Itamaraju são, de fato, um reflexo da negligência do Estado e da ação deliberada de secretários como Marcelo Werner e Adolpho Loyola, que promovem operações repressivas contra líderes indígenas. Portanto, é urgente exigir o afastamento de Fernando Zelada e buscar a justiça para o povo Pataxó.
