Entenda as regras da importação independente
A Tesla ainda não possui concessionárias no Brasil, mas é possível avistar modelos da marca, como a famosa picape Cybertruck, nas ruas brasileiras. Recentemente, um destes veículos esteve envolvido em um acidente em São Paulo. Mas como isso é viável? A resposta está na importação independente, um processo que permite que pessoas físicas e jurídicas tragam automóveis ao país sem a necessidade de intermediação direta das fabricantes.
No entanto, é essencial ficar atento às exigências e à legislação que regula essa prática. O programa Mover é a principal norma que orienta a importação de veículos no Brasil. Qualquer cidadão ou empresa pode proceder com a importação, desde que o carro seja destinado ao uso pessoal. Para isso, existem empresas que oferecem consultoria especializada, facilitando o entendimento de todos os trâmites envolvidos. É importante ressaltar que a burocracia pode ser extensa e os tributos, bastante altos.
Passos necessários para a importação
Após decidir qual veículo importar, o primeiro passo é assegurar que ele se classifique como “novo”. Embora não exista um limite estrito de quilometragem estipulado pela lei, a prática geral aceita veículos com até 300 km rodados. Em alguns casos, o carro é emplacado ainda na fábrica, o que pode complicar os procedimentos burocráticos.
É necessário apresentar documentação que comprove a compatibilidade da renda do CPF com o valor da compra. Caso o processo seja realizado em nome de uma pessoa jurídica, dados da empresa também devem ser considerados. Além disso, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) precisa ser consultado para que a Licença de Importação seja emitida. Caso o veículo não cumpra as normas relacionadas a emissões e ruídos, pode ser barrado nessa fase.
Outro órgão envolvido no processo é o Denatran, que deve emitir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT). Esse documento atesta que o veículo atende às normas brasileiras. De acordo com Natel Valério, diretor comercial da Direct Imports, até o momento, nenhum carro foi barrado por não atender às exigências do Ibama ou do Denatran.
Os custos da importação de veículos
Se o carro já estiver disponível no país de origem, todo o processo pode levar até 90 dias. Além da documentação, é fundamental considerar os custos associados à importação, que incluem taxas de transporte, embarque no país de origem, envio em navio cargueiro e desembarque no Brasil. Para um veículo que custa US$ 100 mil, os encargos de aduana e transporte podem variar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil, segundo Valério.
Com isso, muitas vezes, o preço do carro pode praticamente dobrar ao incluir Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ICMS, taxas aduaneiras e custos de documentação. Valério menciona que uma Tesla Cybertruck foi vendida em outubro de 2025 por aproximadamente R$ 900 mil, enquanto a versão topo de linha é comercializada nos EUA por cerca de US$ 115 mil, ou R$ 600 mil.
Manutenção e garantias: fatores a considerar
O processo não termina no emplacamento. Veículos importados de forma independente podem não ter acesso às garantias oferecidas pelas montadoras no Brasil. Um exemplo disso é a Honda, que não é obrigada a fornecer garantia ou peças para modelos da Acura, mesmo sendo dona da marca.
Essa situação se aplica também a modelos que são vendidos oficialmente no Brasil. Um importador de um Mustang com motor 2.3 turbo não terá as mesmas facilidades de quem adquire um Mustang GT comercializado pela Ford no Brasil. Portanto, é prudente que quem opta por importação independente esteja ciente de que peças e serviços de manutenção podem ser mais onerosos.
Valério acrescenta que sua empresa também auxilia clientes na importação de peças necessárias para a manutenção de veículos. “Conseguimos trazer peças para o Brasil em até 30 dias”, explica. Importante lembrar que esses carros não são necessariamente projetados para operar com o combustível brasileiro, que contém cerca de 30% de etanol, o que pode afetar componentes sensíveis.
O apelo da exclusividade na importação
Para muitos, a importação independente é uma forma de possuir um veículo único e exclusivo. Apesar de os custos, prazos e condições geralmente não serem vantajosos para carros mais acessíveis, os modelos de luxo, como Cadillac, Tesla e Hummer, frequentemente despertam o interesse dos compradores.
De Paula, especialista em assessoria aduaneira, confirma que já atendeu clientes em busca de modelos como o Cadillac Escalade e até versões customizadas do Mercedes-Benz Classe S. Apesar de algumas montadoras terem representações no Brasil, é possível encontrar configurações e opcionais que não são oferecidos no mercado nacional.
