Inovação e Cultura: A IA Arandu
Em fevereiro de 2026, a preservação cultural dos povos indígenas é impulsionada por uma nova iniciativa tecnológica. Mulheres de diferentes etnias se uniram para desenvolver a Inteligência Artificial (IA) Arandu, uma ferramenta que simboliza “sabedoria” em tupi-guarani. A IA está integrada à plataforma Círculos Indígenas, que combina diversas funcionalidades, atuando como uma guardiã digital dos saberes e tradições dos povos originários do Brasil.
A plataforma, que abriga a IA Arandu, permite que as participantes produzam, editem e distribuam conteúdos, além de registrarem seus saberes tradicionais em formato digital e comercializarem produtos e criações desenvolvidas em suas aldeias. Essa iniciativa, que foi construído coletivamente ao longo de 2025, surgiu a partir de uma convocação da ONG Recode, tendo como objetivo fortalecer redes de apoio entre mulheres indígenas, preservar conhecimentos ancestrais e dar voz a essas comunidades, sempre respeitando suas tradições.
Expansão e Impacto Social
Atualmente, o grupo conta com participantes do Distrito Federal e de 12 estados brasileiros, incluindo Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins. A meta é atingir 240 participantes até 2026, e as inscrições para a terceira turma, que disponibiliza 160 novas vagas, já estão abertas.
Rodrigo Baggio, fundador e CEO da ONG Recode, enfatiza a importância deste movimento: “As mulheres indígenas enfrentam, historicamente, barreiras de acesso à tecnologia e oportunidades econômicas. Esta iniciativa foi criada para inverter esse cenário e garantir que suas vozes sejam protagonistas de suas próprias narrativas”. O projeto reúne representantes de diversos povos, como Pataxó, Guajajara, Terena, Apurinã, entre outros, formando uma rede de comunicadoras atuando de diferentes formas e contextos.
Relacionamento com a Tecnologia: O Depoimento de Júlia
Uma das participantes do projeto, Júlia Tainá, de 38 anos, compartilha sua experiência. Vinda do Acre, ela viu nessa iniciativa um caminho para reconectar-se com sua história e construir um espaço seguro para se expressar. “Três dos meus avós eram indígenas. Ao participar de projetos como este, fui me sentindo pertencente e segura. Era como estar em um território, ainda que virtual, onde eu podia, de fato, me comunicar”, afirma.
Júlia acredita que a tecnologia pode ser uma ferramenta vital para fortalecer a cultura. “A IA ajuda a organizar nossas ideias e a estruturar nossas falas. Dessa forma, conseguimos impactar o futuro, sem abrir mão de quem somos”, completa.
Autonomia e Geração de Renda
A plataforma digital oferece recursos intuitivos para a criação, edição e distribuição de conteúdos em diversos formatos, como texto, vídeo e áudio. Além disso, funciona como um acervo digital que valoriza saberes tradicionais, sempre respeitando os contextos culturais. A geração de renda é outro aspecto importante, com espaços que estão sendo aprimorados para promover a venda de produtos e conteúdos das aldeias.
A IA Arandu também facilita a tradução entre línguas indígenas e o português, além de fornecer sugestões de formatos de conteúdo e análises de engajamento, tudo isso com um foco ético e supervisionado. “A Arandu é resultado do encontro entre tecnologia e conhecimento ancestral, demonstrando que é possível desenvolver Inteligência Artificial de maneira ética e alinhada às realidades dos povos indígenas”, conclui Rodrigo Baggio.
