Ações Coordenadas na Terra Yanomami
As forças de segurança do Governo do Brasil, em colaboração com o Pelotão Especial de Fronteira (PEF) de Surucucu, têm acelerado as operações contra a extração ilegal de ouro, focando em alvos ativos dentro da Terra Indígena Yanomami. Sob a supervisão da Casa de Governo, estas iniciativas contam com a participação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), da Funai e de vários órgãos federais, buscando garantir a proteção do território indígena.
Uma das operações mais recentes, chamada Maamaxi Xawara, ocorreu entre 16 e 31 de janeiro, abrangendo diversas áreas, como Rangel, Cascalho Velho, Maloca Paapiu, Surucucu, Xiteí, Homixi e Parima. Curiosamente, a tradução do nome da operação significa “doença do ouro”, enfatizando o impacto negativo da mineração não autorizada na região.
Os resultados obtidos reforçam o compromisso do governo com o povo Yanomami, resultando em prisões e na destruição de estruturas utilizadas por aqueles que tentam invadir o território. Durante os 15 dias de atividades, foram realizadas 120 ações que resultaram na destruição de oito acampamentos, 22 motores, seis geradores, duas embarcações, uma balsa, além da destruição de equipamentos de mineração e a inutilização de 850 litros de diesel e 305 litros de gasolina. Três garimpeiros foram detidos e encaminhados à Polícia Federal em Boa Vista (RR).
Intensificação das Ações de Combate ao Garimpo
“Neste ano, nosso foco será intensificar as operações contra a logística do garimpo ilegal, tanto dentro quanto fora da Terra Indígena Yanomami. No interior da TI, manteremos um trabalho rigoroso de monitoramento nas áreas mais vulneráveis, aumentando a pressão sobre os grupos que persistem em invadir” afirmou Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo.
A estratégia se concentra em evitar que pequenos grupos de invasores retornem ao território, cortando suprimentos, comunicação e meios de operação antes que possam se organizar novamente. Apesar das adversidades climáticas, como chuvas intensas que dificultam os deslocamentos, as equipes têm conseguido localizar e desmantelar acampamentos em áreas remotas da floresta.
No primeiro fim de semana da operação, uma das ações danificou o Garimpo do Rangel, onde foram destruídos motores, bombas d’água, caixas separadoras e outros materiais que apoiam a extração mineral, além de cerca de 100 litros de diesel. Essa destruição no local visa impedir o reaproveitamento dos equipamentos pelos invasores.
Estrutura Decisiva em Surucucu
De acordo com Tubino, a estrutura montada em Surucucu tem sido crucial para acelerar a resposta dos grupos de segurança. “A partir de Surucucu, conseguimos atuar de forma mais rápida e eficiente no combate ao garimpo ilegal. Essa presença permanente nos permite não apenas atingir alvos com velocidade, mas também permanecer por mais tempo no território, evitando a reorganização desses grupos”, afirmou.
Além das ações dentro da Terra Indígena Yanomami, a operação também envolve frentes de fiscalização externa, dirigidas a combater a logística que sustenta o garimpo ilegal. Durante a Operação Maamaxi Xawara, foram registradas 497 abordagens fora da TI, com a fiscalização de 287 veículos e 10 postos de combustíveis, resultando em quatro autuações. Essas medidas complementam as iniciativas realizadas na floresta, restringindo o fornecimento de recursos e apoio aos garimpos ilegais.
Desintrusão e Resultados Positivos
A Operação Maamaxi Xawara faz parte de uma iniciativa mais ampla do Governo do Brasil, conhecida como Operação de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami, que teve início com a abertura da Casa de Governo em março de 2024. Desde então, somam-se mais de 9.200 ações de combate ao garimpo e logísticas associadas.
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) revelam que, comparando os períodos de 1º de março de 2024 e 1º de fevereiro de 2026, a área de garimpo na Terra Indígena Yanomami foi reduzida em impressionantes 98,9%. De cerca de 4.570 hectares, a área estimada caiu para aproximadamente 50 hectares, conforme indicado pelo monitoramento via satélite, evidenciando a eficácia das operações de combate ao garimpo ilegal e do bloqueio logístico promovido pelo Governo Federal.
Presença permanente e Vigilância
A presença constante do Comando Operacional Conjunto Catrimani II em sub-bases dentro da Terra Indígena, como o Destacamento Especial de Fronteira (DEF) de Waikás, e em bases avançadas, como Kayanau e Pakilapi, é fundamental na estratégia. Durante esse período, a equipe do Catrimani II também realizou operações de desmantelamento de pistas clandestinas usadas para a logística do garimpo ilegal. As ações incluem patrulhamento fluvial, fiscalização de crimes ambientais e a proteção de profissionais de saúde e da Funai.
Combinando operações aéreas, fluviais e terrestres, a luta contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami se destaca não apenas por ações pontuais, mas por um trabalho contínuo de reconhecimento, desmantelamento e vigilância que visa assegurar que os invasores não consigam estabelecer-se em uma das áreas mais sensíveis e protegidas da Amazônia brasileira.
