Formação de Educadores para o Povo Sanöma
Um total de dez profissionais de educação se prepara para receber uma capacitação especializada com o objetivo de implementar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no território Yanomami, localizado em Roraima. Essa iniciativa beneficiará 35 comunidades indígenas do povo Sanöma e faz parte do curso intitulado “Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização”. A ação está alinhada com os esforços do Governo Federal para estabelecer medidas estruturantes e duradouras na Terra Indígena Yanomami (TIY), promovendo a proteção e a valorização da gestão territorial, soberania alimentar e das línguas e culturas do povo Sanöma.
A relevância da educação na promoção dos direitos territoriais, sociais e políticos é destacada por Joenia Wapichana, presidenta da Funai. Durante a abertura do curso, realizada em Boa Vista (RR), no dia 5 de dezembro, Joenia afirmou que “a educação é um direito fundamental de todos e uma ferramenta para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos”. Essa perspectiva é ainda mais crucial considerando a crise humanitária enfrentada pelo território, agravada pelo garimpo ilegal que ocorreu entre 2021 e 2022, afetando a saúde, o meio ambiente e a segurança alimentar das comunidades locais.
O curso, coordenado pelo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), conta com apoio financeiro da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos ministérios da Educação (MEC) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Ele é parte de um projeto inovador que visa levar profissionais de educação para a TIY, focando em práticas pedagógicas que respeitem os aspectos socioculturais, históricos e territoriais dos Sanöma. A previsão é que esses educadores comecem suas atividades no território em fevereiro de 2026.
A Importância da Educação para a Dignidade Humana
Para a Funai, a educação é um pilar essencial para a promoção da dignidade humana. Joenia Wapichana enfatizou que a capacitação dos educadores é parte de um conjunto mais amplo de ações do Governo Federal, que busca garantir a soberania alimentar, proteção social e territorial, além de geração de renda para as comunidades locais. “No início da crise, foram adotadas medidas emergenciais, mas agora estamos implementando ações estruturantes”; concluiu Joenia, ressaltando a importância deste projeto para a autonomia do povo Sanöma.
A coordenadora do curso na UFRR, Adriana Santos, destacou que a equipe de educadores é formada por professores de diversas disciplinas, como matemática, português, geografia, história, artes e educação física, todos prontos para atuar na formação de estudantes indígenas a partir do sexto ano do ensino fundamental. Os formadores, experientes no território, garantirão o respeito às culturas e tradições dos povos indígenas, conforme explicou a coordenadora.
“Estamos vivendo um momento singular para desconstruir a ideia tradicional da escola, criando um ambiente que respeite a identidade cultural dos Sanöma. É fundamental abrir-se para esse novo processo, que traz os Sanöma para o centro da construção educacional”, afirmou Adriana Santos. Antes do início das aulas, o envolvimento do povo Sanöma será crucial na elaboração conjunta da grade curricular, assegurando que o conteúdo respeite e valorize suas tradições.
Uma Ação Pioneira de Educação
Adriana também compartilhou a visão de que este projeto representa um marco na educação indígena, onde a universidade se desloca para o território dos povos, proporcionando educação básica. “Imagine o impacto positivo que isso terá nas escolas das comunidades e na política pública que precisa ser fortalecida dentro do território. Estamos estabelecendo as bases para que isso se consolide”, acrescentou.
No dia 6 de dezembro, Joenia Wapichana participou de uma reunião de planejamento em Roraima, acompanhada pela diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta. O encontro visou acompanhar as iniciativas executadas em 2025 e planejar as atividades para 2026, além de avaliar projetos voltados ao etnodesenvolvimento e a ações estruturantes realizadas em colaboração com outras instituições. Essas iniciativas incluem incentivos à produção de alimentos, avicultura, aquicultura e pesca, além da implementação de roçados e cursos sobre segurança alimentar e gestão territorial.
O encontro destacou a importância do diálogo e da troca de experiências para fortalecer as estratégias de ação e planejar o futuro de maneira mais integrada. Também foi apresentado o Plano Integrado Interinstitucional, que delineia as ações a serem desenvolvidas em 2026 e os avanços alcançados pelos projetos até o momento.
