Capacitação para Educadores no Território Yanomami
Dez profissionais da educação estão prestes a receber uma formação detalhada para implementar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) entre as 35 comunidades do povo Sanöma, situadas no território Yanomami, em Roraima. Esta ação está inserida no curso de formação denominado “Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização”. O objetivo é promover ações estruturantes e permanentes na Terra Indígena Yanomami (TIY) com foco na proteção e fortalecimento da gestão territorial, soberania alimentar, e nas línguas e culturas do povo Sanöma.
A presidenta da Fundação Nacional do Índio (Funai), Joenia Wapichana, ressalta que a educação é vital para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos. “A educação é um direito fundamental de todos”, afirmou durante a abertura do evento de formação, que ocorreu na segunda-feira (5) em Boa Vista (RR).
Iniciativas de Capacitação e Inclusão
Coordenado pelo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o curso conta com apoio financeiro da Funai, do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Este projeto inovador busca levar profissionais de educação para a TIY, com uma proposta que respeita e valoriza os aspectos socioculturais, históricos e educacionais do povo Sanöma. A expectativa é que os educadores comecem a atuar na região em fevereiro de 2026.
Joenia Wapichana também destacou a relevância da capacitação em um momento crítico, levando em conta a crise humanitária que o território enfrenta, especialmente após o avanço do garimpo ilegal entre 2021 e 2022. Essa atividade teve impactos significativos na saúde, no meio ambiente e na segurança alimentar da comunidade. “A capacitação é parte das ações do Governo Federal para assegurar a soberania alimentar e nutricional, além da proteção social e territorial”, frisou a presidenta da Funai, lembrando que inicialmente foram adotadas medidas emergenciais, mas agora a prioridade é a implementação de ações estruturantes que promovam a autonomia das comunidades.
Valorização da Cultura e Identidade Sanöma
A coordenadora do curso pela UFRR, Adriana Santos, enfatiza a composição diversificada da equipe de educadores, que conta com professores de diversas disciplinas, como matemática, português, geografia e história, além de pedagogos. Esses profissionais passarão por capacitação com especialistas que têm experiência direta com o povo indígena. “Nosso objetivo é garantir que as culturas e tradições dos Sanöma sejam respeitadas e fortalecidas”, explica Adriana.
Ela acrescenta que, antes do início das atividades, o povo Sanöma será convidado a participar da elaboração da grade curricular, visando uma educação que respeite a identidade cultural da comunidade. “Agora é o momento de desconstruir a ideia de escola que temos e nos abrir para um novo processo de ensino junto aos Sanöma”, afirma a coordenadora, ressaltando a importância de um modelo que valorize as identidades culturais locais.
Desenvolvimento Sustentável e Educação Integrada
Adriana Santos ainda ressalta que essa iniciativa representa um marco importante, onde a universidade se desloca para o território indígena para oferecer educação básica. “Imagine o impacto positivo de termos escolas fortalecidas nas comunidades, com políticas públicas que sejam integradas e solidificadas no território”, reflete. A proposta visa não apenas uma educação de qualidade, mas também a construção de uma política pública que se firmará dentro da comunidade.
Reuniões e Planejamento para o Futuro
Em uma agenda recente em Roraima, Joenia Wapichana participou, acompanhada pela diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta, de uma reunião da Força-Tarefa Yanomami Ye’kwana (FTYY). O encontro teve como foco o planejamento das ações para 2026 e a avaliação das atividades realizadas em 2025, abordando projetos relacionados ao etnodesenvolvimento e à gestão territorial.
As ações do Governo Federal no território Yanomami incluem incentivos para a produção de alimentos, avicultura, aquicultura, pesca, e o desenvolvimento de cursos sobre segurança alimentar e gestão territorial. A reunião foi marcada por uma rica troca de experiências e diálogos que contribuirão para o fortalecimento das estratégias futuras.
