Impactos da Pandemia na População Indígena
A pandemia de COVID-19 teve um impacto severo sobre as comunidades indígenas no Brasil. Um estudo conduzido por Victor Santos e sua equipe revelou que, entre fevereiro e agosto de 2020, a taxa de letalidade entre os indígenas da região Centro-Oeste alcançou 3,2%. Para comparação, a taxa geral no Brasil foi de 1,8%. Essa diferença alarmante pode ser atribuída a diversos fatores, principalmente relacionados à desigualdade no acesso à saúde.
Além disso, a crescente preocupação com a obesidade nas populações indígenas se torna um tema relevante. Pesquisa realizada por Oliveira e seus colaboradores na aldeia Jaguapiru, que abriga comunidades Guarani Kaiowá e Terena, apontou uma taxa de obesidade de 30,8% entre mulheres e 14,2% entre homens. Esses números sugerem que a adoção de hábitos não tradicionais pode estar influenciando negativamente a saúde dessas populações.
A Importância do Dia dos Povos Indígenas
No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) expressa apoio a todos os profissionais de saúde que atuam nas comunidades indígenas, reconhecendo a necessidade urgente de enfrentar as desigualdades que afetam essas populações. A SBEM reafirma seu compromisso em promover acesso igualitário à saúde e combater as disparidades existentes.
É fundamental que as instituições de saúde e a sociedade civil se unam para encontrar soluções que garantam o direito à saúde das comunidades indígenas, respeitando suas especificidades culturais e sociais. A luta por uma saúde mais justa e equitativa deve ser uma prioridade, especialmente em tempos de crise, como a pandemia, que exacerbam vulnerabilidades já existentes.
As referências dos estudos mencionados são de suma importância para embasar as discussões sobre a saúde indígena: Santos VS et al. J Public Health (Oxf) 2021;43(2):e250-e251 e Oliveira GF et al. Rev Panam Salud Publica 2011;29(5):315–21. A foto utilizada é de Agência Brasil.
