Impactos da COVID-19 e a Prevalência de Obesidade
A pandemia da COVID-19 teve um impacto devastador sobre a população indígena no Brasil. Um estudo conduzido por Victor Santos e sua equipe revelou que, na região Centro-Oeste, a taxa de letalidade entre os indígenas foi alarmante, alcançando 3,2%, em contraste com a média nacional de 1,8% durante o período de fevereiro a agosto de 2020. Esses números evidenciam a vulnerabilidade dessa população, que enfrenta disparidades significativas em relação ao acesso à saúde.
Além das complicações trazidas pela pandemia, outro fator preocupante que se destaca é o aumento da prevalência de obesidade entre os povos indígenas. Uma pesquisa realizada por Oliveira e seus colaboradores na aldeia Jaguapiru, que abriga as comunidades Guarani, Kaiowá e Terena em Mato Grosso do Sul, revelou que a taxa de obesidade atinge 30,8% entre as mulheres e 14,2% entre os homens. Os pesquisadores apontam que a assimilação de hábitos não indígenas, que incluem uma alimentação inadequada e sedentarismo, pode ser um dos principais responsáveis por essa realidade.
Solidariedade da SBEM e o desafio das disparidades
Em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) manifesta sua solidariedade a todos os profissionais de saúde que atuam com dedicação no atendimento a essa população. A entidade reconhece que as disparidades de saúde enfrentadas por esses grupos precisam ser abordadas com seriedade e comprometimento, para que possamos garantir um acesso equitativo à saúde para todos.
A saúde indígena é um tema que merece atenção especial, considerando não apenas os desafios impostos pela COVID-19, mas também as condições crônicas que têm se agravado nas últimas décadas. É fundamental promover políticas públicas que respeitem a cultura e os hábitos alimentares indígenas, ao mesmo tempo que ofereçam alternativas saudáveis e acessíveis.
O Dia dos Povos Indígenas serve como um lembrete da importância de garantir a saúde e o bem-estar de todas as comunidades, reconhecendo suas histórias e lutas. A SBEM, ao se posicionar em defesa da saúde indígena, reafirma seu compromisso com a equidade e a justiça social.
Referências – Santos VS et al. J Public Health (Oxf) 2021;43(2):e250-e251, Oliveira GF et al. Rev Panam Salud Publica 2011;29(5):315–21. Foto Agência Brasil
