O que é a Coqueluche?
Um surto de coqueluche em Roraima resultou na morte de pelo menos três crianças Yanomami entre o dia 1º de janeiro e 19 de fevereiro de 2026. Dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde indicam 31 casos notificados e 12 confirmados neste período. Conforme explica Robério Leite, professor de pediatria da Universidade Federal do Ceará (UFC), a coqueluche é uma infecção provocada pela bactéria Bordetella pertussis, que causa inflamação no tecido pulmonar e leva a uma tosse intensa, repetitiva e prolongada.
Fases e Sintomas da Coqueluche
A coqueluche evolui em três fases distintas. A primeira, conhecida como fase catarral, apresenta sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como tosse leve, coriza, febre e mal-estar. Na fase intermediária, surgem crises de tosse seca e incontrolável, que ocorrem várias vezes ao dia durante dias. Por fim, a fase aguda se caracteriza pela tosse paroxística, que pode resultar em falta de ar e inclui um ruído característico na expiração, chamado guincho. “Essa fase é popularmente conhecida como ‘tosse comprida’. Quando ocorre dessa forma, o diagnóstico de coqueluche se torna mais evidente”, comenta Leite. No entanto, em adultos, o quadro geralmente apresenta uma tosse seca, intensa e prolongada, o que pode dificultar o diagnóstico e as medidas de controle.
Complicações e Riscos
As complicações da coqueluche variam em gravidade e são especialmente preocupantes nos primeiros seis meses de vida. De acordo com Leite, entre as complicações estão a apneia — que pode ser irreversível para bebês muito novos e prematuros —, convulsões, pneumotórax, hemorragias conjuntivais e intracranianas, desnutrição, pneumonia bacteriana secundária, otite média, e até a necessidade de ventilação mecânica e exsanguineotransfusão. O risco de morte também não pode ser subestimado. Idosos e pessoas com imunodeficiência estão igualmente mais vulneráveis a essas complicações.
Transmissão da Coqueluche
A transmissão da coqueluche ocorre principalmente pelo contato com gotículas expelidas por uma pessoa infectada ao espirrar, tossir ou falar. Superfícies contaminadas pelas secreções também podem ser responsáveis pela transmissão indireta. Conforme mencionado por Leite, a transmissão é mais intensa nas duas primeiras semanas da doença, na fase catarral, mas pode se estender por três semanas ou mais. É importante ressaltar que contrair a doença uma vez não garante imunidade vitalícia; a pessoa pode ser infectada novamente.
Estratégias de Prevenção e Tratamento
Na questão da prevenção, a vacinação se mostra fundamental. Leite alerta que o aumento dos casos de coqueluche indica uma baixa cobertura vacinal, o que tem contribuído para o ressurgimento da doença em várias partes do mundo. Ele enfatiza a importância da vacinação de gestantes, pois isso protege a mãe e transfere anticorpos ao bebê. O cronograma de vacinação contra a coqueluche inicia-se aos 2 meses de idade, com reforços previstos aos 4, 6 e 15 meses e, posteriormente, aos 4 anos, segundo o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde (SUS).
O tratamento da coqueluche envolve o uso de antibióticos da classe dos macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina. A eficácia do tratamento é acentuada quando a medicação é iniciada nas fases iniciais da doença.
