Ação Emergencial na Terra Yanomami
Roraima – O Ministério da Saúde mobilizou uma equipe de saúde, composta por médicos, enfermeiros e socorristas, na última segunda-feira (16), para reforçar o atendimento na região de Surucucu, que faz parte da Terra Indígena Yanomami. Esta ação ocorre em resposta ao aumento de casos de coqueluche, com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami confirmando oito diagnósticos e três óbitos relacionados à doença. Especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS) também integram a equipe, trazendo experiência para a contenção de surtos de doenças infecciosas.
Após a confirmação dos casos, que foi divulgada na quarta-feira (18), o reforço na equipe busca não apenas atender as crianças afetadas, mas também realizar buscas ativas por novos casos e coletar material para análises clínicas. A vacinação nas aldeias adjacentes também será intensificada, totalizando aproximadamente 50 profissionais no esforço de prevenção e atendimento.
Investigação e Tratamento em Andamento
A investigação do falecimento de três crianças está sendo conduzida pelos órgãos competentes, conforme informado na terça-feira (17). As crianças diagnosticadas com coqueluche foram transferidas para hospitais em Boa Vista (RR). Dentre elas, duas já receberam alta e retornaram às suas aldeias. Os pacientes suspeitos de coqueluche, assim como aqueles que tiveram contato com os infectados, estão em tratamento sob acompanhamento médico.
Avanços na Vacinação
No DSEI Yanomami, o Esquema Vacinal Completo (EVC) para crianças com menos de um ano e aquelas com menos de cinco anos apresentou um aumento significativo. Em 2022, apenas 29,8% das crianças menores de um ano tinham o esquema vacinal completo, número que subiu para 57,8% em 2025. Para crianças menores de cinco anos, a taxa aumentou de 52,9% para 73,5% no mesmo período. O EVC avalia a porcentagem de crianças que receberam todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
Ampliação da Força de Trabalho no DSEI Yanomami
O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, ressaltou que o incremento na equipe de saúde na Terra Yanomami tem sido crucial para a resolução das lacunas assistenciais. Desde 2023, o DSEI contava com 690 profissionais, mas esse número cresceu para 1.855, representando um aumento de 169%. “Com mais profissionais de saúde, garantimos atendimento nas aldeias e uma resposta ágil em situações críticas. Atualmente, além da vacinação, podemos realizar testes e exames diretamente nos Polos Base. Por exemplo, o exame de gota espessa pode ser realizado no território, graças à contratação de microscopistas”, detalhou Tapeba.
Centro de Referência em Saúde Indígena
Um marco significativo na saúde indígena foi a inauguração do primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI Xapori Yanomami) do Brasil, em setembro de 2025, na região Yanomami, Roraima. Com um investimento federal aproximado de R$ 29 milhões, a unidade visa aumentar a capacidade de atendimento a casos graves, fornecer suporte em situações de urgência e emergência, além de diminuir a necessidade de transferências para centros urbanos distantes. O projeto teve envolvimento da Central Única das Favelas (CUFA) e da ONG alemã Target Reudiger Nehberg, beneficiando diretamente cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades, respeitando suas particularidades culturais e epidemiológicas.
