A 3ª Copa Macuxi: Uma Celebração do Esporte e da Cultura
A 3ª Copa Macuxi de Futebol Amador, promovida pela Prefeitura de Boa Vista, chegou ao seu emocionante desfecho neste domingo, 1º, na comunidade indígena Darôra, localizada na região do baixo São Marcos. O torneio, que tem como objetivo não apenas a celebração do esporte, mas também a valorização dos povos originários, culminou em grandes partidas disputadas no campo conhecido como “Estádio Beira Rio”, reunindo atletas, líderes comunitários e moradores.
Organizada pela Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec) em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI), a copa contou com jogos decisivos nas categorias Sub-17 e Adulto, tanto Feminino quanto Masculino, envolvendo atletas de diversas comunidades indígenas. Ao término das competições, foram entregues troféus, medalhas e prêmios em dinheiro às equipes vitoriosas.
As torcidas vibravam a cada jogada, criando uma atmosfera de apoio e entusiasmo. O prefeito Arthur Henrique enfatizou a importância da Copa Macuxi, um torneio inédito no Brasil que é inteiramente financiado e apoiado pela Prefeitura de Boa Vista e que continua a crescer a cada edição, com o aumento da participação comunitária.
“Nesta edição, contamos com a participação de 12 comunidades indígenas, envolvendo 740 atletas distribuidos em 37 equipes e três categorias. Os jogos ocorreram em quatro comunidades diferentes e a premiação totalizou mais de R$ 83 mil. Além da promoção do esporte, a Copa Macuxi fortalece iniciativas como o apoio à agricultura familiar, piscicultura e produção de alimentos, gerando renda e valorizando a cultura indígena”, afirmou o prefeito.
Resultados das Finais: Conquistas e Emoções
Na categoria Adulto Feminino, o jogo terminou empatado em 0 a 0 no tempo regulamentar e foi decidido nos pênaltis, onde a comunidade Vista Nova saiu vencedora, conquistando seu tricampeonato ao derrotar a Ilha com um placar de 4 a 2.
Na categoria Sub-17, a comunidade Vista Alegre garantiu a vitória ao bateu a Vista Nova por 1 a 0, se consagrando bicampeã. No Adulto Masculino, a Vista Nova também se destacou ao vencer a comunidade Darôra, resultando em mais um jogo emocionante com o mesmo placar de 1 a 0.
Vista Nova: A Comunidade em Destaque
A comunidade indígena Vista Nova brilhou na competição, classificando-se para as finais em todas as três categorias e acumulando mais de R$ 36 mil em prêmios. Gilvandro Messias, técnico e segundo tuxaua da comunidade, atribuiu o sucesso ao trabalho contínuo de liderança e educação. “A Vista Nova sempre teve uma ligação forte com o esporte e priorizou a Copa Macuxi. O nosso trabalho estruturado inicia com os jovens e se estende até os adultos, incluindo categorias de base, como o Sub-12, que preparam as crianças para um futuro promissor. Com dedicação, conseguimos levar três equipes às finais e agora, a premiação será reinvestida no desenvolvimento do esporte”, explicou Gilvandro.
Histórias Inspiradoras no Futebol Indígena
Um dos exemplos de dedicação é o goleiro Bryan Souza, de apenas 18 anos, que foi reconhecido como o melhor goleiro na categoria Adulto Masculino e recebeu R$ 300 pela conquista. “Minha paixão pelo futebol começou aos 8 anos, com o apoio incondicional da minha família. Comecei na Copa Macuxi na categoria Sub-17 e, nesta terceira edição, disputei pela primeira vez na categoria Adulto, levando o título para casa. Meu sonho é jogar pelo Flamengo”, compartilhou Bryan.
Iniciativas que Fortalecem a Cultura Indígena
Outro ponto alto da 3ª Copa Macuxi foi o projeto de formação de árbitros indígenas, coordenado por Yungo Paiva Macedo, que também é presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (CEAF) e membro do Grupo de Trabalho da Arbitragem da CBF. Dyego Monnzaho, presidente da Fetec, reforçou que a Copa Macuxi é um marco para Boa Vista, mobilizando várias comunidades indígenas e promovendo a valorização cultural por meio do esporte.
“Esta competição é uma das mais importantes no Norte do país, valorizando as comunidades indígenas não apenas como atletas, mas também na formação de árbitros capacitados para atuar profissionalmente. Isso fortalece a identidade territorial, cultural e social dessas comunidades e reafirma o futebol como um elemento significativo na cultura indígena”, destacou Dyego.
No total, 20 árbitros indígenas participaram do treinamento e capacitação, e agora fazem parte da arbitragem da Federação Roraimense de Futebol (FRF), tendo a oportunidade de atuar em campeonatos de futebol profissional no estado, ampliando assim as possibilidades de inclusão no esporte.
Premiação: Reconhecimento e Valorização
A competição ofereceu prêmios para todas as categorias, totalizando R$ 83.600, além da entrega de troféus e medalhas às equipes classificadas em 1º, 2º e 3º lugares. A edição deste ano introduziu uma novidade com a premiação dos melhores artilheiros e goleiros de cada categoria.
Na categoria Masculino, o total foi de R$ 31.600, onde a Vista Nova conquistou a primeira colocação, levando R$ 15 mil. O segundo lugar foi para a Darora, que recebeu R$ 10 mil, seguido pelo Milho, que ganhou R$ 6 mil. O artilheiro da categoria foi Adriano de Sousa, também da Vista Nova, com 9 gols e R$ 300 de prêmio.
No Feminino, a categoria também totalizou R$ 31.600, com a Vista Nova em primeiro lugar (R$ 15 mil), Ilha em segundo (R$ 10 mil) e Vista Alegre em terceiro (R$ 6 mil). A artilheira foi Kátia Elen, da Vista Nova, com 5 gols e R$ 300.
Por fim, na categoria Sub-17, o total foi de R$ 20.400. A Vista Alegre conquistou R$ 10 mil em primeiro lugar, enquanto a Vista Nova ficou com R$ 6 mil e a Serra do Truaru, R$ 4 mil em terceiro. O artilheiro foi Marcos Ryan, da Vista Alegre, com 2 gols e R$ 200, e o melhor goleiro foi Pedro Arthur, da Serra do Truaru, também recebendo R$ 200.
