Fechamento Temporário Levanta Questões sobre Preservação Cultural
A Articulação dos Estudantes Indígenas (ARTEIN) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) expressou sua indignação em relação ao fechamento temporário do Centro de Referência, Memória e Cultura Indígena Kaingang. Este espaço é crucial para a preservação da história e cultura dos povos originários da região. Durante uma reunião realizada na última terça-feira (27), na Secretaria de Assistência Social de Londrina, a Prefeitura justificou a suspensão das atividades do Centro pela falta de funcionários.
O encontro contou com a presença de representantes da União Nacional Indígena (UNICA), incluindo o cacique Jurcelino e outras lideranças indígenas, além de representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e um assessor da deputada federal Lenir de Assis (PT). A UNICA apresentou uma proposta para utilizar o espaço de forma permanente a partir de fevereiro, com a realização de oficinas culturais. Apesar de não ser um fechamento definitivo, a interrupção das atividades foi realizada sem notificação formal, como relatam os representantes da ARTEIN: “Ficamos sabendo pela palavra de um estudante e parente que faz parte da UNICA”.
História e Importância do Centro para os Povos Indígenas
Inaugurado em agosto de 2016, durante a gestão do então prefeito Alexandre Kireeff, o Centro de Referência, Memória e Cultura Indígena Kaingang localiza-se na Rua Humberto Picinin, nº 235, Vila Brasil. O espaço foi criado com a intenção de conservar as memórias, histórias e expressões culturais das comunidades indígenas da região. Ao longo dos anos, o Centro desempenhou um papel vital na preservação da memória dos povos Kaingang, Guarani e de outras etnias, e se tornou um ponto de encontro para diversas famílias da Terra Indígena Apucaraninha e de outras comunidades urbanas.
Com a fundação da UNICA em 2025, o Centro passou a ser sede de reuniões políticas e artísticas, com uma agenda cultural estabelecida para 2026. O local é utilizado para exposições fotográficas, venda de produtos artesanais, apresentações de dança e canto indígenas, além de oferecer uma biblioteca especializada e oficinas temáticas. Para os estudantes, a criação do Centro representou um importante avanço na administração municipal em relação às questões indígenas, simbolizando um espaço de respeito e envolvimento com as demandas dos povos originários.
A Luta pela Reabertura do Centro e Preservação da Memória Indígena
Os estudantes da ARTEIN veem o fechamento do Centro como um retrocesso e uma desonra aos povos indígenas. Eles afirmam que a segregação dos povos indígenas foi uma prática histórica, e o fechamento do Centro é mais um passo no apagamento da memória Kaingang em Londrina. “Desde o colonialismo, temos enfrentado lutas para preservar nossas histórias. Agora, estão tentando apagar a memória Kaingang do coração de Londrina”, alertam os integrantes da ARTEIN, que incluem indígenas de diversas etnias residindo na cidade e região.
A principal demanda do movimento é que a Prefeitura reabra o Centro o mais rapidamente possível e estabeleça mecanismos que garantam sua operação contínua. “No Centro de Referência e Memória Kaingang, guardamos memórias ancestrais de nossos antepassados. Continuaremos nossa luta pela manutenção deste espaço e fazemos um apelo à população londrinense para que conheça este local que carrega a história anterior à colonização do município”, concluem os estudantes da ARTEIN.
