Desvendando a Atuação da CONAFER
Recentemente, a atuação da CONAFER junto ao povo Yanomami ganhou destaque em uma matéria da Folha de S. Paulo. O artigo, que parece ter falhado na apuração dos fatos ou, talvez, optado por fontes exclusivamente estatais, trouxe à tona uma narrativa que afirma que a “CONAFER promoveu fluxo de Yanomamis para a cidade e cadastro irregular de indígenas”. Tal afirmação, no entanto, é desprovida de veracidade. É fundamental ressaltar que todas as iniciativas da CONAFER nas terras indígenas surgem diretamente de pedidos e demandas das comunidades locais.
Surpreendentemente, um veículo de comunicação de grande prestígio falhou em buscar a verdade junto àquelas que realmente vivenciam a realidade do abandono estatal: os próprios Yanomami. Aceitar como verdade absoluta as informações divulgadas por órgãos como o MPI e a FUNAI ressalta a fragilidade da reportagem, que ignora a real situação da região. Estar alinhado apenas com essas narrativas mantidas por instituições que temem perder sua influência sobre os indígenas enfraquece a autonomia política de diversos representantes que, historicamente, têm sido comparados aos colonizadores.
A Importância da Autonomia Indígena
A atuação da CONAFER, em consonância com o desejo dos Yanomami, visa promover a autonomia dos povos indígenas. Essa defesa se torna ainda mais evidente quando analisamos a constatação de que todas as ações realizadas foram solicitadas por líderes tradicionais, como os tuxauas, que têm o papel fundamental de representar as comunidades. A CONAFER respeita rigorosamente o consentimento das comunidades antes de intervir, levando em conta que atuações em territórios indígenas não ocorrem sem convite e diálogo prévio.
As atividades da CONAFER no Amazonas, amplamente documentadas em seu site, surgiram em resposta a situações críticas enfrentadas pelos Yanomami, como a falta de alimentos, assistência médica e o avanço de atividades ilegais. Recentemente, foram realizados mutirões sociais que resultaram na entrega de mais de mil cestas básicas em 22 aldeias, garantindo suporte a famílias que, de outra forma, estariam abandonadas.
Formação dos Guardiões Ambientais Yanomami
Outro aspecto relevante da atuação da CONAFER é a formação dos Guardiões Ambientais Yanomami. Ao contrário de uma imposição, essa iniciativa foi solicitada e acompanhada pelas lideranças locais, como uma estratégia de defesa dos territórios contra garimpos, madeireiros e caçadores ilegais. O estado, frequentemente reticente em enfrentar essas atividades criminosas, não parece apreciar a formação dos indígenas como defensores de suas terras.
Um dos líderes, o Tuxaua Alípio Aprueteri Yanomami, deixou clara sua posição a respeito: “A autorização para o curso de guardiões partiu exclusivamente de mim. Não foi a Funai, era minha autorização.” Essa declaração refuta qualquer alegação de que a CONAFER tenha atuado sem consentimento, evidenciando a real autonomia dos Yanomami, algo que incomoda estruturas estatais acostumadas a agir em nome dos indígenas sem ouvi-los.
Deslocamentos Urbanos e Autonomia
A crítica de que a CONAFER teria incentivado deslocamentos urbanos irresponsáveis ignora a realidade vivida nas aldeias. Os Yanomami têm se deslocado até Barcelos por conta própria, buscando documentação civil e acesso a benefícios que sempre lhes foram negados. A CONAFER apenas ofereceu apoio em uma demanda que já existia, garantindo a dignidade e segurança durante a estadia na cidade.
A CONAFER não se submete à tutela estatal e, quando necessário, questiona decisões que considera equivocadas. O foco da entidade é sempre a autonomia dos povos indígenas, sem amarras institucionais. Ao entrar nas comunidades, a CONAFER se compromete a combater a fome e a oferecer assistência, agindo sempre que convidada e observando a precariedade em que muitos indígenas vivem.
A Contribuição da CONAFER para o Povo Yanomami
A atuação da CONAFER no território Yanomami é marcada por ações efetivas de combate à fome e ao abandono institucional. Isso inclui o atendimento direto a indígenas em condições precárias nas cidades, garantindo alimentação e suporte que deveriam ser responsabilidade da Funai, mas que falhou em fornecer. Além disso, a entregas de barcos, cestas básicas e até brinquedos para crianças são parte do compromisso da CONAFER com as comunidades.
Em tempos desafiadores, como durante a pandemia de Covid-19, a entidade também se fez presente, levando recursos materiais a áreas isoladas e ajudando na produção de alimentos pela agricultura familiar.
Construção do Posto de Saúde e Fortalecimento Comunitário
A construção do Posto de Saúde na Aldeia Águas Vivas, iniciada em 8 de outubro e finalizada em 27 de outubro de 2023, foi um marco da atuação da CONAFER. Realizada sob condições adversas, a obra contou com o apoio direto das comunidades e simboliza a forte parceria entre a CONAFER e os Yanomami. Além disso, o treinamento de 67 Guardiões Ambientais reforça a importância da vigilância territorial, capacitando os indígenas a monitorar e proteger suas terras.
A CONAFER continuará sua missão de apoiar e fortalecer a autonomia dos povos Yanomami, assegurando que suas vozes e necessidades sejam sempre respeitadas e atendidas, mesmo diante de narrativas que buscam deslegitimar sua atuação.
