A Homenagem do Cimi a Graciela Chamorro
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) expressa seu mais profundo pesar pelo falecimento de Graciela Chamorro, uma mulher que dedicou sua vida, de maneira incansável, à defesa dos direitos e da vida dos povos indígenas. Graciela foi mais do que uma defensora; ela se tornou uma referência na luta pela autonomia dos Guarani.
Graciela Chamorro, além de ser uma aprendiz e professora dos povos Guarani, destacou-se como uma verdadeira mestra na arte de conviver. Seu exemplo de escuta e respeito pelos modos de ser indígena deixou uma marca indelével no Mato Grosso do Sul, especialmente no convívio com os Guarani Kaiowá e Ñandeva. Sua atuação, no entanto, não se limitou a essa região; seu impacto se estendeu ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, onde sua presença foi fundamental.
Ela se destacou como escritora, linguista, antropóloga, teóloga, missionária e amiga. Graciela fez da língua Guarani a base de sua abordagem educacional, espiritual e teológica, sempre respeitando as particularidades e categorias do pensamento indígena. Seu diálogo foi profundo e respeitoso, refletindo sua compreensão das culturas que abraçou.
No campo da formação e assessoria às comunidades indígenas, Graciela teve um papel decisivo na promoção da autonomia e na valorização cultural dos Guarani. Sua contribuição foi essencial para o fortalecimento dos processos de resistência entre esses povos, permitindo que suas vozes fossem ouvidas e respeitadas.
O legado intelectual de Graciela é inestimável. Entre suas obras, o Cimi destaca “Terra Madura – Yvy Araguyje”, que se mantém como uma expressão viva e amadurecida da sua caminhada junto aos povos indígenas. Essa obra representa não apenas um marco na literatura, mas também uma ferramenta de resistência e reafirmação da identidade Guarani.
O Cimi se solidariza com familiares, amigos e as comunidades indígenas, reafirmando que a palavra, o testemunho e o compromisso de Graciela Chamorro continuarão a inspirar e a fortalecer a luta por justiça, território e um bem viver digno para todos os povos.
Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2026.
