Passos Cruciais para a Conclusão da Transição
Na última quinta-feira, dia 5, a criação do CNPJ da Grêmio Esportivo Brasil Sociedade Anônima do Futebol marcou um avanço significativo na reestruturação do clube. No entanto, a transição de gestão ainda não está completa, pois alguns trâmites legais precisam ser finalizados.
Um dos passos essenciais é realizar uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo (CD) para que os contratos firmados entre a direção do clube e o Consórcio Xavante, um grupo de investidores que adquiriu 90% das ações da SAF, sejam apreciados. Até o momento, o edital convocando essa reunião não foi divulgado.
Depois disso, será convocada uma Assembleia Geral para a aprovação dos contratos, seguindo uma sequência semelhante à que ocorreu durante a avaliação da proposta da SAF. Em 8 de outubro, o Conselho Deliberativo já havia dado seu aval, e, seis dias depois, foi a vez da Assembleia ratificar o processo.
Além disso, o novo CNPJ precisa ser registrado nas entidades que organizam os campeonatos em que o Brasil participa, como a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A expectativa é que essa burocracia seja finalizada em cerca de um mês, enquanto a equipe se prepara para a Série D do Brasileirão, prevista para abril.
Outro aspecto importante é a formalização da transferência dos ativos para os investidores. Neste interim, o clube está dependendo exclusivamente da receita do quadro social para sua sobrevivência financeira. O presidente, Vilmar Xavier, expressou a esperança de que todas as etapas sejam concluídas até fevereiro.
Compreendendo a Estrutura da SAF
A Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em vigor há pouco mais de quatro anos, impõe que clubes que alterem seu modelo administrativo, como é o caso do Brasil, mantenham ao menos 10% das ações da SAF. Assim, a associação Grêmio Esportivo Brasil continuará a existir, mantendo sua direção executiva, Conselho Deliberativo e quadro social.
Esse percentual de 10% é definido como golden share, referindo-se às ações de classe A que têm a função de proteger a história e os símbolos do clube. Essa normativa assegura à associação o poder de veto em diversas deliberações significativas, como reorganizações societárias, fusões, dissoluções, mudanças de nome, escudo, cores ou hino, entre outros aspectos.
A gestão da SAF incluirá um Conselho de Administração que terá a presença de um representante do clube associativo, responsável por defender os interesses da associação e garantir que os direitos das ações classe A sejam respeitados.
Composição do Consórcio Xavante
Conforme anunciado em agosto, o Consórcio Xavante é formado por três membros: o ex-jogador Emerson da Rosa, além das empresas Greenfield Partners e VEX Capital. Juntas, essas partes estão adquirindo 90% das ações da SAF. Contudo, a composição acionária entre Emerson e as duas empresas ainda não foi divulgada.
Os investidores assumiram compromissos importantes, como garantir um orçamento mínimo de R$ 142 milhões ao longo de dez anos, além de assumir a dívida do clube, que é estimada em R$ 21,1 milhões, conforme o processo de recuperação judicial aprovado. Os planos também incluem a construção de um novo centro de treinamento e a modernização do estádio Bento Freitas, além de investimentos em estruturas voltadas ao futebol profissional e às categorias de base.
O Papel de Emerson Rosa no Projeto
Aos 49 anos, Emerson da Rosa, um ex-jogador respeitado com uma carreira sólida no futebol europeu e na Seleção Brasileira, reside atualmente em Orlando, nos Estados Unidos. Desde o anúncio da SAF do Xavante, ele retornou à sua cidade natal em duas ocasiões e será o encarregado do departamento de futebol, trabalhando em conjunto com o coordenador técnico, Hélio Vieira, e o técnico Gilson Maciel na captação de novos talentos para o elenco que competirá nas próximas temporadas, incluindo a Série D do Brasileirão e a Série A-2 do Gauchão.
A Greenfield Partners e a VEX Capital
A Greenfield Partners, conforme as informações, será acionista minoritária com 9,99% da SAF. A empresa estava em fase de constituição quando apresentou sua proposta à direção do Brasil. Segundo Fernando Ferreira, sócio-fundador da Pluri Sports, a Greenfield é composta, entre outras empresas, pela própria Pluri e tem como objetivo gerir os negócios extracampo do clube, abrangendo áreas como finanças, jurídico, recursos humanos, contabilidade, marketing e área comercial.
Esses profissionais do mercado que integram a Greenfield serão responsáveis por implementar um choque de gestão e uma reestruturação administrativa, essencial para o Rubro-Negro, segundo Ferreira.
Paralelos e Recuperação Judicial
Enquanto a transição para a SAF avança, o clube associativo também enfrenta um processo de recuperação judicial iniciado em agosto do ano passado. O Brasil já apresentou um plano de recuperação, buscando renegociar suas dívidas com os credores, com a expectativa de que a Assembleia Geral de Credores ocorra ainda no primeiro semestre de 2026.
Formalização da Nova Empresa
No último dia 3 de fevereiro, foi formalizada a nova empresa, que se denomina Grêmio Esportivo Brasil SAF, possuindo um CNPJ registrado na Receita Federal. O capital social inicial é de R$ 100 mil, e Laura Quevedo, presidente do CD, é mencionada no quadro de sócios e administradores.
