Unidade de Soberania Alimentar na Terra Yanomami
A primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami foi oficialmente inaugurada em Sikamabiu, localizado na região do Baixo Mucajaí, em Roraima, na última segunda-feira (2). O evento contou com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, que anunciou um investimento de R$ 90 mil para a iniciativa.
“Lembro o dia em que o presidente Lula esteve aqui em Roraima e a situação era de pessoas morrendo de fome. Hoje, estamos trabalhando para garantir a segurança alimentar e este passo é fundamental, não só aqui, mas em várias comunidades ao longo de toda a Amazônia. O objetivo é assegurar que essas comunidades recebam a assistência necessária”, destacou Dias durante a cerimônia.
A unidade inaugurada é parte de um projeto que prevê a instalação de outras sete estruturas este ano, beneficiando 18 comunidades indígenas yanomami nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu. Essas ações visam auxiliar na recuperação das comunidades após a retirada do garimpo ilegal na área, promovendo autonomia, segurança alimentar e recuperação ambiental.
Os recursos destinados à unidade fazem parte de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o MDS e a Embrapa Roraima. A execução do projeto é realizada pela Embrapa, com colaboração da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR), que também está envolvido na capacitação da comunidade.
Estruturas e Funcionalidades da Unidade
A nova unidade de produção é composta por um aviário com 100 galinhas, um viveiro capaz de abrigar 2 mil mudas de espécies nativas como açaí e cacau, além de um tanque para compostagem, que produzirá adubo natural. A área também contempla plantações de mandioca, batata e arroz, com sistemas agroflorestais dedicados à recuperação de áreas degradadas.
Além disso, foi construído um tanque escavado para a criação de peixes, com 440 m², e dois açudes anteriormente utilizados pelo garimpo ilegal foram recuperados, transformando-se em criadouros de peixes. Testes realizados no local confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo que os açudes agora integrem o sistema produtivo. Ao todo, os tanques e açudes abrigam aproximadamente 4 mil filhotes de peixes.
A comunidade de Sikamabiu é composta por cerca de 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. O que antes era uma área dominada por máquinas do garimpo agora se transformou em um espaço para produção de alimentos, respeitando os modos de vida tradicionais e garantindo segurança alimentar.
Apoio Interministerial e Perspectivas Futuras
Além da iniciativa do MDS, a comunidade de Sikamabiu recebeu suporte do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), que instalou 10 tanques elevados, revestidos para a criação de tambaqui, que acomodam mais 4 mil filhotes. Esta colaboração do MPA, em parceria com o IFRR, inclui a capacitação de 34 indígenas, os quais terão a responsabilidade de manejar os tanques, promovendo a autonomia na criação de peixes. Os técnicos envolvidos estimam que a produção de proteína animal possa alcançar cerca de 1 tonelada até o final de 2026.
A agenda do Governo do Brasil em Roraima também abrange outras ações no território Yanomami e na capital Boa Vista, como a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, que se concentrará em oferecer atendimento especializado e proteção contra violações de direitos humanos.
