A Celebração do Futebol Indígena
No último domingo, 1º de outubro, a comunidade indígena Darôra, localizada na região do baixo São Marcos, se tornou o palco de uma grande festa: a final da 3ª Copa Macuxi de Futebol Amador. Promovida pela Prefeitura de Boa Vista, essa iniciativa busca não apenas incentivar a prática esportiva, mas também valorizar a cultura dos povos originários da região. O evento reuniu atletas, lideranças comunitárias e moradores em um ambiente repleto de animação e emoção.
Com a coordenação da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec) e a colaboração da Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI), a copa contou com jogos decisivos nas categorias Sub-17, Adulto Feminino e Adulto Masculino. Ao final das partidas, os vencedores foram premiados com troféus, medalhas e uma quantia em dinheiro, ressaltando a importância do esporte na promoção da cultura indígena.
Um Grande Esforço Coletivo
O prefeito Arthur Henrique enfatizou que a Copa Macuxi representa uma inovação no Brasil, sendo totalmente financiada pela Prefeitura de Boa Vista. “Nesta edição, contamos com a participação de 12 comunidades indígenas, que mobilizaram 740 atletas distribuídos em 37 equipes e três categorias. A premiação totalizou mais de R$ 83 mil, demonstrando que, além do esporte, a copa impulsiona ações importantes, como o apoio à agricultura familiar e à produção de alimentos, proporcionando renda e valorização cultural”, afirmou o prefeito.
Resultados das Finais e Destaques
A final da categoria Adulto Feminino foi marcada por um empate em 0 a 0, decidido nas cobranças de pênaltis, onde a comunidade Vista Nova se sagrou campeã ao vencer por 4 a 2 a comunidade Ilha. Na categoria Sub-17, a vitória ficou com a comunidade Vista Alegre, que derrotou a Vista Nova por 1 a 0, assegurando seu bicampeonato. Por outro lado, no Adulto Masculino, a comunidade Vista Nova também se destacou, vencendo a comunidade Darôra com um gol de diferença.
Em particular, a comunidade Vista Nova brilhou nesta edição ao chegar às finais em todas as categorias, acumulando mais de R$ 36 mil em premiações. Segundo o técnico e segundo tuxaua da comunidade, Gilvandro Messias, “A Vista Nova sempre teve uma forte ligação com o esporte e abraçou a Copa Macuxi como prioridade. O trabalho começou com os jovens e se estendeu até os adultos, incluindo categorias de base como o Sub-12. A premiação será reinvestida no esporte, potencializando o desenvolvimento dos jovens atletas”.
Histórias de Superação
O goleiro Bryan Souza, de 18 anos, foi reconhecido como o melhor goleiro da categoria Adulto Masculino, recebendo R$ 300. Ele compartilhou sua trajetória: “Minha paixão pelo futebol começou aos 8 anos, sempre com o apoio da minha família. Participei da Copa Macuxi desde a categoria Sub-17 e nesta terceira edição conquistei o título no Adulto. Meu sonho é jogar um dia pelo Flamengo”, revelou Bryan.
Capacitação e Inclusão no Esporte
Outro destaque da 3ª Copa Macuxi foi a implementação de um projeto de formação de árbitros indígenas, coordenado por Yungo Paiva Macedo, presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (CEAF). Dyego Monnzaho, presidente da Fetec, ressaltou a importância dessa iniciativa: “A Copa Macuxi é um marco para Boa Vista, mobilizando comunidades indígenas e promovendo a valorização cultural. É uma das principais competições amadoras do Norte e valoriza os indígenas como atletas e, pela primeira vez, na formação de árbitros capacitados.”
Com a participação de 20 árbitros indígenas no processo de capacitação, muitos agora integram a arbitragem da Federação Roraimense de Futebol (FRF), ampliando suas oportunidades e contribuindo para a inclusão no esporte em nível profissional.
Premiações e Reconhecimento
As premiações para esta edição totalizaram R$ 83.600, com troféus e medalhas entregues às equipes classificadas em 1º, 2º e 3º lugares, além de prêmios para os melhores artilheiros e goleiros de cada categoria. Na categoria Masculino, a Vila Nova levou R$ 15 mil como campeã, enquanto que na feminina, também venceu com o mesmo valor. Já na categoria Sub-17, a campeã Vista Alegre recebeu R$ 10 mil.
Esses momentos de celebração e valorização cultural mostram que a Copa Macuxi não é apenas um torneio esportivo, mas um verdadeiro símbolo da resistência e força das comunidades indígenas de Boa Vista.
