Três Anos de Estado de Emergência
No dia 20 de janeiro de 2023, o Governo Federal declarou estado de emergência em saúde pública na Terra Indígena Yanomami, reconhecendo uma das mais severas crises humanitárias da história recente do Brasil. Agora, três anos depois, os dados indicam progressos significativos na saúde e na proteção do território. Porém, os povos indígenas que habitam a região alertam que a mineração ilegal continua a ser uma grave ameaça, adaptando-se às ações governamentais.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, desde a declaração de emergência, houve uma redução de 27,6% nas mortes entre os indígenas, além do aumento do número de profissionais de saúde e da abertura de um hospital indígena. Em janeiro de 2023, muitos Yanomami estavam em situações alarmantes, enfrentando desnutrição severa e surtos de malária. Hoje, três anos depois, o cenário sanitário é mais encorajador, reflexo da presença mais constante do Estado na região.
Ações Governamentais e Cooperativas
Em 2024, a resposta do governo foi intensificada com a criação da Casa de Governo, vinculada à Casa Civil em Boa Vista (RR). Esta estrutura visa centralizar as ações de mais de 20 órgãos federais. De março de 2024 até janeiro de 2026, foram realizadas mais de 9 mil operações de segurança, resultando em R$ 644 milhões em perdas para o garimpo, conforme dados oficiais.
A colaboração entre o poder público e as organizações indígenas, como as associações Yanomami e Ye’kwana, foi crucial para os avanços observados nos últimos três anos. Essas associações desempenharam um papel vital ao denunciar invasões, orientar operações de fiscalização e garantir que as ações estatais respeitassem as particularidades culturais e sociais das comunidades. Essa parceria tem fortalecido o processo de desintrusão, tornando as operações mais eficazes.
Desafios e a Persistente Ameaça do Garimpo
Os números demonstram que uma atuação coordenada e constante pode levar ao recuo do garimpo. No entanto, é evidente que a repressão, por si só, não resolve a questão. É fundamental uma colaboração entre vários órgãos de fiscalização, capaz de atingir as cadeias financeiras e logísticas que sustentam a mineração ilegal. Com o aumento da valorização do ouro no mercado internacional, o garimpo se reinventa, utilizando brechas logísticas e novas tecnologias para continuar a devastação de territórios indígenas.
Grégor Daflon, porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, destaca que os recentes avanços evidenciam que a proteção dos territórios indígenas é viável, desde que haja compromissos de longo prazo. “A presença do Estado salvou vidas e diminuiu a destruição no território Yanomami, mas essa proteção deve ser contínua e ir além de ações emergenciais. Superar o garimpo como atividade econômica é crucial, pois ele provoca a destruição de vidas, a contaminação de rios e a devastação de florestas.”
Monitoramento e Resultados Positivos
O Greenpeace Brasil, em um monitoramento realizado no primeiro semestre de 2025, observou que a Terra Indígena Yanomami alcançou resultados positivos, com apenas 8,16 hectares de novas áreas exploradas ilegalmente para mineração de ouro. Esse dado reflete os efeitos benéficos das operações de desintrusão contínuas.
Comparando com o primeiro semestre de 2024, a redução foi de 95,18% na TI Yanomami. No entanto, em outras regiões, como a TI Kayapó, mesmo com um ligeiro aumento, não foram abertas novas áreas para garimpo após o início das operações de desintrusão.
A Importância da Mobilização
O Greenpeace Brasil continua seu trabalho de monitoramento independente do garimpo em terras protegidas da Amazônia, utilizando tecnologia como imagens de satélite para identificar novas áreas de exploração e subsidiar ações de fiscalização. Essa vigilância é essencial, especialmente na Terra Indígena Yanomami, que abrange quase 10 milhões de hectares e abriga mais de 33 mil indígenas.
O relatório “Ouro Tóxico”, divulgado em abril de 2025, revelou que, embora houvesse uma redução de 7% na devastação nas áreas Yanomami em 2024, a mineração ilegal continua sendo uma ameaça. O desejo por ouro, um metal precioso, impulsiona a atividade garimpeira, que se infiltra na economia global sem a devida regulação e responsabilidade. A luta dos Yanomami é também uma luta pela Amazônia e pelo futuro de todos nós. Se você deseja uma Amazônia livre de garimpo, participe da mobilização do Greenpeace Brasil, que já conta com mais de 170 mil assinaturas.
