Um passo importante em direção à inclusão na carreira diplomática brasileira
Em uma iniciativa que marca um novo capítulo na história do Ministério das Relações Exteriores, um concurso público para a carreira de diplomata passará a reservar vagas para candidatos indígenas e quilombolas. O edital foi divulgado pelo Instituto Rio Branco, a academia responsável pela formação diplomática, nesta quinta-feira (29), confirmando a oferta de 60 vagas ao todo. O salário inicial para os aprovados é de R$ 22.558.
Essa é a primeira seleção para o corpo diplomático em conformidade com a nova lei de cotas, sancionada ano passado pelo presidente Lula. Do total de vagas disponíveis, 39 são destinadas a ampla concorrência, três a pessoas com deficiência, 15 para negros (pretos e pardos), duas vagas para indígenas e uma vaga voltada a quilombolas.
O processo de inscrição estará aberto entre os dias 4 e 25 de fevereiro, exclusivamente na página do Cebraspe, instituição que organiza a seleção pública. A taxa de inscrição é fixada em R$ 229, mas candidatos de baixa renda que estão inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) poderão solicitar isenção desse valor. Essa medida busca promover maior acessibilidade e inclusão no acesso a oportunidades de carreira no serviço público.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, expressou sua satisfação com a inclusão das vagas para esses grupos historicamente marginalizados. Em suas palavras, a reserva de vagas representa um marco histórico e reflete um empoderamento significativo de lideranças indígenas, que, a partir de agora, poderão ocupar espaços decisórios importantes no estado brasileiro. Este movimento é considerado essencial para a construção de uma diplomacia mais diversa e representativa, que considere as múltiplas vozes e realidades do Brasil.
O concurso do Itamaraty, além de ser um reflexo das políticas de inclusão, também representa uma oportunidade para que a perspectiva indígena e quilombola seja levada em consideração nas relações internacionais do país. A seleção de novos diplomatas irá contribuir para que a diversidade cultural do Brasil seja melhor representada nas esferas diplomáticas, promovendo uma política externa que dialogue com todas as camadas da sociedade.
