Saúde e Território em Transformação
Em 20 de janeiro de 2023, o Governo Federal reconheceu a gravidade da crise humanitária na Terra Indígena Yanomami ao declarar estado de emergência em saúde pública. Três anos após essa decisão, os resultados mostram avanços significativos nas áreas de saúde e proteção territorial, embora os desafios persistam, principalmente no combate ao garimpo, que continua a ameaçar o meio ambiente e a cultura dos povos indígenas.
Dados do Ministério da Saúde, divulgados em novembro de 2023, indicam uma queda de 27,6% nas mortes entre os indígenas e um aumento no número de profissionais de saúde atuando na região. Além disso, foi inaugurado um hospital indígena, um passo crucial para melhorar a assistência médica em uma área que enfrentou surtos de malária e desnutrição severa.
Fortalecimento das Ações Governamentais
A atuação do governo foi intensificada com a criação da Casa de Governo em Boa Vista (RR), uma sede da Casa Civil que coordena os esforços de mais de 20 órgãos federais em resposta à emergência Yanomami. Entre março de 2024 e janeiro de 2026, foram realizadas cerca de 9 mil operações de segurança, resultando em R$ 644 milhões em perdas para o garimpo ilegal. Esses dados revelam uma estratégia mais robusta e integrada para lidar com a questão, ainda que os desafios permaneçam.
Organizações indígenas, como as associações Yanomami e Ye’kwana, desempenharam um papel vital ao orientar a fiscalização e denunciar invasões. Essa colaboração entre o Estado e os povos indígenas tem se mostrado fundamental para garantir que as ações respeitem as particularidades culturais e sociais das comunidades locais, além de fortalecer a eficácia das operações de desintrusão.
Caminhos e Desafios do Combate ao Garimpo
Apesar dos avanços, os dados do Greenpeace Brasil, que monitoraram o garimpo em 2025, revelam que a Terra Indígena Yanomami obteve o melhor resultado entre os territórios analisados, com apenas 8,16 hectares abertos à exploração ilegal. Essa estatística reflete o impacto positivo das ações contínuas de desintrusão, que têm mostrado resultados concretos na redução do garimpo.
Em contrapartida, a pesquisa destacou que o garimpo recuou em todas as Terras Indígenas que passaram por operações coordenadas. Por exemplo, na TI Yanomami, houve uma diminuição de 95,18% nas áreas abertas para exploração quando comparado ao semestre anterior. Isso demonstra que uma abordagem coordenada e com presença contínua do Estado é essencial para a proteção dos territórios.
A Importância da Ação Conjunta
De acordo com Grégor Daflon, porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, os resultados recentes evidenciam que é possível proteger os territórios indígenas desde que haja compromisso de longo prazo. “A presença do Estado salvou vidas e reduziu a destruição, mas essa proteção precisa ser permanente e ir além do emergencial.” Ele ressalta a importância de superar o garimpo como atividade econômica, que tem causado devastação de vidas e culturas.
O garimpo ilegal não apenas contamina rios e destrói florestas, mas também viola direitos humanos e ameaça a própria existência de culturas indígenas. Com a valorização do ouro no mercado mundial, os garimpeiros tendem a se adaptar e explorar novas rotas e tecnologias, o que representa um desafio constante para a proteção dos territórios.
Monitoramento e Mobilização: A Luta Continua
O Greenpeace Brasil segue monitorando as atividades de garimpo em terras protegidas, utilizando tecnologia de satélites e sobrevoos para identificar novas áreas de exploração. Esse trabalho é essencial para subsidiar ações de fiscalização em um território nacional que abriga a maior população indígena do Brasil, com mais de 33 mil indígenas vivendo na Terra Indígena Yanomami.
Desde 2023, a organização denunciou a presença de equipamentos pesados, como escavadeiras hidráulicas, e a construção de estradas ilegais, que facilitam a atuação dos garimpeiros. O relatório “Ouro Tóxico”, publicado em abril de 2025, alerta que, mesmo com a redução de 7% na devastação de 2024, a ameaça do garimpo se mantém viva, resultando em um ciclo de destruição que precisa ser urgentemente interrompido.
A luta pela sobrevivência do povo Yanomami é uma batalha pela Amazônia e pela preservação do clima global. O Greenpeace Brasil convida todos a se juntar a essa mobilização em defesa dos povos indígenas e das florestas, assinando a petição que já conta com mais de 170 mil apoios. Para que esse trabalho continue, a contribuição de cada um é essencial. Por isso, a organização pede doações mensais para que possam ampliar suas ações e efetivamente combater os crimes ambientais que ameaçam o futuro de todos nós.
