Um Dia de Celebração da Cultura Indígena
Neste sábado (data a confirmar), a Aldeia Maracanã se tornará o cenário de um evento que promete ser um marco para o audiovisual brasileiro. A formatura da turma de 2025 do Cine Tekó – Escola de Cinema Contracolonial será um momento especial, destacando a importância da apropriação das ferramentas cinematográficas por novos olhares. A proposta é transformar a câmera em um instrumento de defesa territorial, preservação da memória e reconstrução de imaginários.
Com uma programação que se estende das 13h às 22h, o evento reflete o princípio fundamental da escola: descolonizar o cinema. Diferente do passado, quando as lentes eram utilizadas para “enquadrar” o indígena sob uma perspectiva exótica ou de tutela, no Cine Tekó essa lógica é invertida. Aqui, a técnica cinematográfica serve à cosmologia indígena, com as narrativas sendo conduzidas por aqueles que verdadeiramente vivem suas histórias.
Destaques da Programação
A roda de conversa “O cinema contracolonial e o olhar originário das artes visuais” está programada para as 15h. Neste debate, estarão presentes o cineasta e jornalista Patrick Granja, o cacique e pesquisador Urutau Guajajara, e o educador e fundador da Escola de Artes Tendy Koatiara, Ricardo Tupinambá. O objetivo é refletir sobre a intersecção entre estética e política na luta pelos direitos dos povos originários.
À noite, a tela será iluminada por obras essenciais. A documentarista Vik Birkbeck apresentará “Da UNI para a ONU”, um registro histórico da primeira organização indígena do Brasil, além do filme “Etogo”, que será exibido em parceria com o antropólogo e realizador indígena Idjahure Kadiwel. A sessão também contará com a participação da cineasta Natália Tupi, que traz “Os sonhos guiam”, um filme que explora a dimensão onírica e espiritual do povo Guarani Mbya.
Rituais e Música Encerram a Celebração
O evento na Aldeia Maracanã, um território sagrado de resistência urbana, vibrará com a força cultural do Coral Guarani da Aldeia Mata Verde Bonita e do Coral Guajajara, que se apresentarão com cânticos ancestrais como um ato político de resistência e afirmação cultural. A festa será finalizada com o show do grupo Moleques da Pisadinha, que trará um toque contemporâneo à celebração, demonstrando que a cultura indígena é viva, dinâmica e também ocupa espaços na música popular e no forró.
