Iniciativas Educativas que Valorizam Culturas Indígenas
O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei), em colaboração com o Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Alana e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), divulgou as onze iniciativas que foram premiadas no Edital Aldear a Educação Básica. Essa iniciativa busca fortalecer a Lei 11.645/08, promovendo a inclusão de histórias, culturas e saberes indígenas nas salas de aula do Brasil.
Lançado em setembro, o edital visa reconhecer e divulgar experiências pedagógicas que não apenas valorizem a diversidade social, mas também atuem contra o racismo, ressaltando a importância do conhecimento indígena na luta contra as mudanças climáticas e na valorização de suas ricas tradições.
Para a seleção dos projetos premiados, um comitê especializado avaliou mais de 200 propostas apresentadas por educadores, tanto indígenas quanto não indígenas. Embora inicialmente estivesse previsto o reconhecimento de dez propostas, a qualidade excepcional apresentada levou à premiação de uma iniciativa adicional. Os projetos premiados abrangem uma variedade de formatos, incluindo podcasts com intelectuais indígenas, jogos interativos com mulheres líderes e catálogos táteis de grafismo pataxó, engajando estudantes de todas as idades, desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Critérios de Seleção e Composição do Comitê
A avaliação foi conduzida por um grupo de 16 especialistas e representantes do setor educacional, movimentos sociais, além de instituições da sociedade civil e universidades. Os critérios utilizados na análise incluíram o impacto social das propostas, criatividade, e a abordagem intercultural e interdisciplinar adotada.
Entre os membros do comitê de avaliação estavam Daniela Kaingang, coordenadora do Fneei; Paula Menezes, representante do Instituto Alana; Cris Takuá, do Museu das Culturas Indígenas; e outros especialistas que contribuíram com suas experiências e conhecimentos para a seleção das iniciativas. Este comitê se dedicou a identificar propostas que realmente refletissem a diversidade e a riqueza cultural dos povos indígenas.
Divulgação e Benefícios para Educadores
As práticas educacionais reconhecidas serão disponibilizadas gratuitamente na plataforma Mirim.org, com o intuito de que mais educadores possam ter acesso ao material e aplicá-lo em suas aulas. Além disso, os autores dos projetos premiados receberão um vale-presente no valor de R$2 mil, como forma de incentivo pelo trabalho desenvolvido. A cerimônia de premiação está programada para acontecer no primeiro semestre de 2026.
O edital se alinha ao objetivo maior de fortalecer a Lei nº 11.645/08, que tornou obrigatória a inclusão das histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras na educação básica do país. Essa legislação surgiu como uma resposta às demandas do movimento indígena e tem contado com a colaboração de educadores indígenas para sua implementação efetiva.
Importância do Edital e do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena
O Edital Aldear é uma continuidade das iniciativas promovidas pelo FNEEI, ISA e Alana para apoiar a aplicação da Lei nº 11.645/08. Dentre as ações realizadas estão a identificação de educadores indígenas que atuam na formação continuada de professores e a elaboração da nota técnica “Lei 11.645/08: Ensino de História e Cultura Indígena”, que foi apresentada durante o Encontro Nacional de Educação Escolar Indígena em Brasília, em 2024.
Um Olhar sobre o Fneei e o ISA
O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) atua como um espaço de diálogo e articulação entre lideranças indígenas, educadores e entidades governamentais, buscando promover uma educação escolar indígena que seja específica, diferenciada e intercultural. Desde sua criação em 2015, o Fneei tem trabalhado na defesa de políticas públicas que valorizem os saberes tradicionais, as línguas e os territórios indígenas, conforme preconizado pela Constituição e pelo Plano Nacional de Educação.
O Instituto Socioambiental (ISA), fundado em 1994, tem como lema “socioambiental se escreve junto”. O ISA desenvolve projetos com comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas visando proteger seus territórios, fortalecer suas culturas e saberes tradicionais, e desenvolver economias sustentáveis. Com atuação em várias bacias hidrográficas, o ISA articula ações nos âmbitos da política e direitos socioambientais e promove a restauração ecológica e a valorização da sociobiodiversidade.
O Papel do Alana e da Anmiga
O Alana é um ecossistema que visa promover um mundo melhor para as crianças, fundamentando-se em princípios de justiça social e direitos humanos. Sua atuação abrange diversas frentes, incluindo educação e advocacy.
A Anmiga, por sua vez, é uma organização que reúne mulheres indígenas de diferentes biomas do Brasil, buscando fortalecer a luta pelo bem viver e o protagonismo feminino, valorizando saberes tradicionais e garantindo a defesa de seus territórios.
