Uma Nova Esperança para os Yanomami
“Após um período repleto de dificuldades, com dor, mortes e a devastação da floresta, testemunhamos uma transformação significativa: a expulsão dos invasores trouxe alívio e esperança ao nosso povo, graças à atuação do Governo Federal e das operações de desintrusão”. Essa declaração é de Júlio Ye’kwana, presidente da Associação Wanasseduume Ye’kwana, que analisa as intervenções federais na Terra Indígena Yanomami nos últimos três anos.
Em 20 de janeiro de 2023, após uma visita a Roraima, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a grave crise humanitária enfrentada pelos Yanomami e decretou estado de emergência em saúde pública. O Decreto nº 11.384/2023 estabeleceu um comitê coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, destinado a desenvolver estratégias interministeriais para enfrentar a gravidade da situação, que ameaçava a vida de 30,4 mil indígenas no território.
A força-tarefa para remover os invasores das terras indígenas foi intensificada no ano seguinte à declaração de emergência, centralizando as operações de segurança sob a supervisão da Casa de Governo. Criada em 27 de fevereiro de 2024 e instalada em Boa Vista (RR), essa estrutura visa integrar a atuação de mais de 20 órgãos federais, incluindo segurança pública, fiscalização ambiental e saúde, garantindo uma presença constante do Estado e uma resposta efetiva à exploração ilegal do território.
Ações e Resultados na Terra Indígena Yanomami
Entre março de 2024 e janeiro de 2026, foram realizadas mais de 9 mil operações de segurança, conforme dados registrados em um dashboard da Casa de Governo. Essas ações resultaram em perdas estimadas em R$ 644 milhões para os responsáveis pela atividade garimpeira ilegal.
Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo, destacou que as iniciativas de comando e controle na Terra Indígena Yanomami são permanentes e abrangentes. “O combate ao garimpo ilegal não se limita apenas aos locais de extração, mas se estende a toda a cadeia logística. Isso inclui a fiscalização das rotas de acesso, monitoramento dos rios e operações de inteligência para desmantelar as redes de exploração ilegal. Não vamos interromper nossas ações de proteção ao território”, afirmou.
Este trabalho conta com a colaboração de diversos órgãos, como ANTT, ANP, Funai, PF, PRF, Abin, Força Nacional e ICMBio, que atuam em conjunto para garantir a segurança e a saúde das comunidades indígenas.
Avanços em Saúde e Direitos Humanos
Em setembro de 2025, o Centro de Referência em Saúde de Surucucu foi inaugurado, oferecendo atendimento ambulatorial a 1.537 indígenas, com uma taxa de 71% de casos resolvidos sem necessidade de remoção. De acordo com Daiane Souza, enfermeira responsável, os dados do Ministério da Saúde revelam uma queda de 70% nas mortes por desnutrição no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2023. “Hoje, a realidade é diferente. As crianças que eram atendidas com desnutrição já estão se recuperando”, comemora.
Regiane Carvalho, nutricionista, compartilha que anteriormente utilizava fórmulas caseiras para tratar desnutrição e que, atualmente, com a ampliação do número de profissionais na área, as condições de atendimento melhoraram consideravelmente.
Além disso, a retirada de mercúrio do território também foi uma prioridade. Foram apreendidos 242 quilos da substância tóxica, que é utilizada pelos garimpeiros e causa sérios danos ao meio ambiente e à saúde das comunidades locais. Tubino enfatizou a importância de evitar a entrada do mercúrio na floresta, prevenindo uma série de problemas de contaminação.
Resultados do Combate ao Garimpo Ilegal
Os dados revelam uma redução drástica na área de garimpo ativo na Terra Indígena Yanomami. Em março de 2024, 4.570 hectares estavam sob exploração, enquanto, em dezembro de 2025, esse número caiu para apenas 56 hectares. O monitoramento contínuo realizado pelo CENSIPAM, órgão do Ministério da Defesa, é essencial para essa conquista.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também participa ativamente, com a criação do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY), prevendo atender às necessidades e direitos dos povos indígenas, com uma equipe multidisciplinar pronta para receber denúncias de violações e oferecer apoio nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Além disso, a Embrapa, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, está promovendo a piscicultura na região. Com 14 módulos produtivos implementados e a formação de 117 indígenas, essa iniciativa visa garantir a segurança alimentar e gerar renda para as comunidades.
Os Yanomami, que têm enfrentado grandes desafios, agora vislumbram um futuro mais promissor, com a possibilidade de regeneração de suas terras e a recuperação de suas tradições culturais e alimentares.
