Uma Luta por Direitos e Sustentabilidade
Após um período de extrema adversidade, marcado por mortes e devastação ambiental provocada pelo garimpo, os Yanomami começam a vislumbrar um futuro mais promissor. Júlio Ye’kwana, presidente da Associação Wanasseduume Ye’kwana, expressou essa nova esperança ao afirmar: “A retirada dos invasores trouxe alívio e proteção ao nosso povo, graças ao esforço do Governo Federal e as operações de desintrusão”. Essa mudança se intensificou desde que, em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a grave crise humanitária enfrentada pelos Yanomami e declarou emergência em saúde pública.
O Decreto nº 11.384/2023 estabeleceu a criação de um comitê coordenado pela Casa Civil para desenvolver estratégias interministeriais que abordassem a situação crítica que colocava em risco a vida de cerca de 30,4 mil indígenas na região. A partir desse marco, a força-tarefa para expulsar os invasores da Terra Indígena Yanomami ganhou uma nova organização, centralizando as operações de segurança sob a supervisão da Casa de Governo.
Instalada em Boa Vista (RR) e vinculada à Casa Civil, essa estrutura foi proposta para integrar as ações de mais de 20 órgãos federais, abrangendo áreas como segurança pública, saúde e fiscalização ambiental, garantindo uma presença constante do Estado no território e promovendo uma cooperação interinstitucional eficaz para enfrentar a exploração ilegal.
Retomada da Terra e Resultados Positivos
Entre março de 2024 e janeiro de 2026, mais de 9 mil operações de segurança foram executadas, resultando em perdas significativas para a atividade garimpeira, com prejuízos estimados em R$ 644 milhões. “As ações de combate ao garimpo ilegal são contínuas e abrangem toda a cadeia de exploração, desde a fiscalização das rotas até o controle de acessos fluviais e a atuação de inteligência para desmantelar a rede criminosa”, destacou Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo.
As operações são realizadas por um conjunto diversificado de agências, como a ANTT, a Funai e a Polícia Federal, que trabalham em conjunto, permitindo uma resposta mais eficaz à presença de invasores na Terra Indígena Yanomami.
Impactos Positivos na Saúde e Bem-Estar
Em setembro de 2025, foi inaugurado o Centro de Referência em Saúde de Surucucu, que tem como objetivo atender 10 mil indígenas de 60 comunidades. Desde então, mais de 1.500 atendimentos ambulatoriais foram realizados, com uma taxa de 71% de resolução sem necessidade de remoção de pacientes. Conforme informações do Ministério da Saúde, as mortes por desnutrição caíram 70% em 2025 em comparação ao ano anterior. A enfermeira Daiane Souza relatou a notável melhoria nas condições nutricionais das crianças atendidas, refletindo o impacto positivo das novas iniciativas.
Apreensão de Mercúrio e Recuperação Ambiental
Um dos grandes desafios enfrentados é a contaminação por mercúrio, utilizado ilegalmente na extração de ouro. Nos últimos dois anos, 242 quilos da substância foram apreendidos. Tubino enfatizou a importância de impedir a entrada do mercúrio na floresta, evitando danos irreparáveis ao meio ambiente e à saúde dos indígenas. Paralelamente, o governo tem se empenhado em projetos de monitoramento ambiental, como o coordenado pelo Ibama, que visa recuperar áreas degradadas.
Iniciativas para os Direitos Humanos e Sustentabilidade
Este ano, o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) será inaugurado, promovendo a proteção dos direitos dos povos indígenas. Com uma equipe multidisciplinar de 28 profissionais, o centro atenderá a denúncias de violações de direitos e apoio em áreas como saúde e educação. A participação ativa dos próprios Yanomami nas discussões do plano de recuperação ambiental é fundamental para o sucesso das iniciativas, como ressaltou o pesquisador indígena Genivaldo Crepuna Yanomami.
Além disso, um projeto de piscicultura está em andamento, com a Embrapa e o Ministério do Desenvolvimento Social colaborando na formação de grupos de indígenas na prática da piscicultura, promovendo a autossuficiência e sustentabilidade alimentar. Com essas ações, um novo capítulo se inicia no território Yanomami, onde a luta pela preservação ambiental e pelos direitos humanos se entrelaçam em busca de um futuro mais justo e sustentável.
