Mudanças Importantes na Literatura do Vestibular
A Universidade de São Paulo (USP) anunciou as obras literárias que comporão a lista de leitura obrigatória para os vestibulandos de 2030 a 2033. Essa nova seleção apresenta alterações significativas em relação à lista anterior, que abrangeu o ciclo de 2026 a 2029, e se destaca pela ampliação de gêneros literários e pela inclusão de autores de diversas origens.
A decisão foi ratificada em uma reunião unânime do Conselho de Graduação da USP, que trouxe de volta obras de teatro, um gênero ausente nas últimas edições, e incorporou os quadrinhos, através de uma graphic novel. Essa mudança marca a primeira vez em que escritores indígenas serão abordados nas provas da Fuvest, com a inclusão da obra “Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena”, compilada por Trudruá Dorrico e Maurício Negro, para os anos de 2030-2031. Para o bienal de 2032-2033, a obra “Fantasmas”, do autor Daniel Munduruku, também consta na lista.
Nova Perspectiva Literária
Gustavo Monaco, diretor executivo da Fuvest, enfatizou a importância de trazer visões contemporâneas que abordem uma gama mais ampla de questões, permitindo uma avaliação comparativa entre diferentes escolas literárias e suas obras. “Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abrangendo um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras”, explicou.
A abordagem de diversificação da lista se alinha com a percepção do diretor sobre o conhecimento, que, segundo ele, é fracionado apenas por motivos didáticos. Monaco sublinha que é crucial que os estudantes universitários aprendam a relacionar diferentes concepções e narrativas.
Impactos na Correção e Complexidade das Questões
Essa nova seleção de obras terá um reflexo direto na correção das questões do vestibular. A prova de português, que é a maior da Fuvest, envolve cerca de 30 mil candidatos na segunda fase, sendo que metade das perguntas aborda literatura. A correção fica a cargo de professores da USP, doutorandos e ex-alunos de doutorados, e essa ampliação da lista certamente aumentará a complexidade das perguntas e das respostas que serão apresentadas pelos candidatos.
Monaco observou que, durante o processo de correção, debates têm se tornado mais comuns, pois algumas respostas trazem novas perspectivas sobre os temas abordados, levando a questionamentos e comparações inovadoras. “Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação”, comentou.
Além de incluir obras de autores indígenas, a nova lista também retoma a presença de autores masculinos, equilibrando assim a paridade de gêneros, uma vez que a lista anterior, de 2026 a 2028, era composta exclusivamente por autoras. Essa decisão reflete um compromisso da universidade com a diversidade e a inclusão literária.
Obras Selecionadas para 2030-2031 e 2032-2033
A lista de leitura obrigatória para os vestibulandos de 2030 e 2031 inclui:
- “Laços de Família”, de Clarice Lispector (contos)
- “Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena”, de Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
- “A Moratória”, de Jorge Andrade (teatro)
- “Uma Faca só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto (poesia)
- “Beco do Rosário”, de Ana Luiza Koehler (graphic novel)
- “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis (romance)
- “Memorial do Convento”, de José Saramago (romance)
- “A Ilha Fantástica”, de Germano Almeida (romance)
- “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus (romance)
A lista para os anos de 2032 e 2033 ainda será divulgada, mas já se pode perceber que a USP busca enriquecer sua formação acadêmica ao trazer obras que dialogam com as diversas realidades sociais e culturais brasileiras.
