Uma Nova Abordagem Literária no Vestibular
A Universidade de São Paulo (USP) anunciou as obras literárias que serão exigidas nos vestibulares de 2030 a 2033, introduzindo uma seleção que reflete uma maior diversidade nas vozes e estilos. A nova lista, aprovada por unanimidade pelo Conselho de Graduação, não só amplia o leque de gêneros literários, como também marca a inclusão de autores indígenas, destacando-se a obra ‘Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena’, que será cobrada nos anos de 2030 e 2031.
Este movimento representa um avanço significativo na representação de culturas que historicamente foram marginalizadas. Além disso, a lista traz de volta o gênero teatral, ausência nas provas anteriores, e inclui quadrinhos, com a graphic novel ‘Beco do Rosário’ de Ana Luiza Koehler. Essa mudança visa oferecer uma visão mais abrangente e atual da literatura brasileira, refletindo uma variedade de experiências e narrativas.
Segundo Gustavo Monaco, diretor executivo da Fundação para o Vestibular (Fuvest), é fundamental trazer uma abordagem contemporânea que permita avaliar questões relevantes de maneira comparativa entre diferentes escolas literárias. “A ampliação do repertório literário é uma resposta à necessidade de um conhecimento mais interconectado, que permite aos estudantes estabelecer relações entre diversas narrativas”, enfatizou Monaco.
Impactos na Correção e Avaliação
A inclusão de novas obras também implica em mudanças na forma como as provas serão corrigidas. A banca de português, que é a mais extensa da Fuvest com cerca de 30 mil candidatos na segunda fase, verá um aumento na complexidade das questões, dado que metade delas envolve literatura. A correção será realizada por um corpo de professores da USP, doutorandos e pós-graduandos, que estão se preparando para os debates que surgem das novas abordagens literárias.
“Tem sido notável perceber o surgimento de discussões durante a correção, onde as respostas dos alunos trazem novas formas de se pensar os temas abordados, estimulando novas comparações literárias”, comentou Monaco. Essa abertura para múltiplas interpretações é um reflexo do desejo da universidade de formar alunos não apenas com conhecimento técnico, mas também com uma capacidade crítica mais apurada.
Retomada da Paridade e Diversidade na Literatura
Além da inclusão de autores indígenas, a nova lista também busca equilibrar a representação de gêneros. Embora a seleção anterior tenha sido predominantemente composta por autoras, o atual formato traz de volta autores homens, garantindo uma paridade na representação. A relação de obras para os anos de 2030 e 2031 inclui clássicos da literatura brasileira, como ‘Laços de Família’ de Clarice Lispector e ‘Esaú e Jacó’ de Machado de Assis, ao lado de novas vozes que ampliam o espectro de leitura.
Fica claro que a USP está comprometida em moldar um futuro educacional que não só respeita a pluralidade cultural do Brasil, mas também instiga os alunos a se tornarem leitores mais críticos e conscientes. A lista de livros, que inclui obras como ‘A Moratória’ de Jorge Andrade e ‘Quarto de Despejo’ de Carolina Maria de Jesus, é um convite à reflexão e ao diálogo sobre as diversas realidades e histórias que compõem a nação brasileira.
