Educação de Jovens e Adultos no Território Yanomami
Um novo projeto educacional está sendo implementado no território Yanomami, em Roraima, com a capacitação de dez profissionais para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa iniciativa visa atender 35 comunidades do povo Sanöma, promovendo autonomia e fortalecendo a identidade cultural. O curso, intitulado “Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização”, faz parte de uma série de ações do Governo Federal para estruturar e garantir direitos nas Terras Indígenas.
A formação é coordenada pelo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e conta com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos ministérios da Educação (MEC) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Esta ação pioneira busca não apenas capacitar educadores, mas também fortalecer práticas pedagógicas que respeitem a cultura, história e território do povo Sanöma. A previsão é que os educadores comecem a atuar a partir de fevereiro de 2026.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, enfatizou em sua fala durante a abertura do curso que a educação é um direito fundamental e uma ferramenta essencial para o acesso a direitos sociais, territoriais e políticos. “A educação é um direito de todos e, mais que isso, é um passo importante para assegurar nossa dignidade”, afirmou Joenia, destacando a importância da formação em um contexto de crise humanitária, exacerbada pela exploração ilegal de recursos que impactou negativamente a saúde e segurança alimentar das comunidades.
Joenia Wapichana também ressaltou que esta capacitação faz parte de um conjunto de ações para garantir soberania alimentar e proteção social. “Estamos avançando de medidas emergenciais para ações que visam a autonomia das comunidades no território”, explicou, referindo-se aos esforços do Governo Federal em resposta aos efeitos prejudiciais do garimpo na região.
Participação Indígena e Formação Colaborativa
A coordenadora do curso pela UFRR, Adriana Santos, destacou que a equipe de educadores é composta por profissionais de diversas áreas, como matemática, português, geografia, história, artes e educação física. Os participantes da formação serão orientados por especialistas com experiência no território, garantindo o respeito às culturas e tradições do povo Sanöma.
“Estamos aqui para implementar uma prática docente que se distancie do modelo educacional tradicional. É fundamental respeitar a identidade cultural dos Sanöma e desconstruir preconceitos sobre o ensino”, afirmou Adriana. O processo formativo incluirá a participação ativa do povo Sanöma na construção da grade curricular, assegurando que a educação oferecida reflita suas realidades e necessidades.
Adriana ressalta a importância da união entre a universidade e as comunidades: “Este é um modelo inovador, onde a educação básica é levada para dentro do território. O fortalecimento das escolas nas comunidades é uma meta essencial para consolidar políticas públicas que respeitem e valorizem a cultura indígena”, complementou.
Agenda e Projetos Futuros
No dia 6 de setembro, Joenia Wapichana participou de uma reunião em Boa Vista, em conjunto com a diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta. O encontro teve como foco o planejamento e a análise das ações realizadas pela Força-Tarefa Yanomami Ye’kwana (FTYY), coordenada pela Funai. Os participantes discutiram o progresso e as estratégias para 2026, além das iniciativas de etnodesenvolvimento e segurança alimentar.
Entre os projetos em andamento, estão a promoção de práticas de cultivo de alimentos, avicultura, aquicultura e oferta de cursos sobre gestão territorial e segurança alimentar. A reunião possibilitou um espaço rico para diálogos e trocas de experiências, contribuindo para o fortalecimento das ações futuras.
O plano integrado apresentado na reunião traz uma abordagem holística das necessidades das comunidades, assegurando que as ações sejam direcionadas e eficazes. Com esse compromisso, o Governo Federal busca não apenas atender demandas específicas, mas também fomentar a autonomia e o protagonismo do povo Sanöma em seu território.
