Uma Educadora Comprometida com a Comunidade
Eliza Silvino da Silva, natural da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, deixou um legado imensurável de educação e ativismo em defesa dos direitos das terras indígenas. Nascida em uma família que priorizava o trabalho no campo, ela desafiou a falta de incentivos à educação em sua infância e se tornou uma referência para sua comunidade.
Desde seus primeiros passos na educação, Eliza demonstrou uma determinação admirável. Após deixar sua aldeia, Taxi, para frequentar uma escola de padres, ela seguiu seus estudos na Universidade Federal de Roraima (UFRR), onde obteve a licenciatura intercultural pelo Instituto Insikiran. Tornou-se a primeira professora da língua macuxi, contribuindo significativamente para a valorização e preservação do idioma e das tradições culturais do seu povo. Suas aulas não eram apenas atividades acadêmicas; eram também uma celebração das raízes e da cultura macuxi.
A filha de Eliza, Leonildes Selvino da Silva, expressa o orgulho pela herança deixada pela mãe: “Ela tinha o dom de criar material didático na língua materna, elaborando músicas e interagindo com os alunos de forma única”. A dedicação de Eliza ao ensino se manifestou na Escola Estadual Indígena Rosa Nascimento, onde lecionou por mais de 20 anos, sempre promovendo a coletividade e o respeito à cultura através do conhecimento.
Comprometimento e Solidariedade
Além de sua carreira educacional, Eliza não se afastou de suas raízes agrícolas. Ao lado do esposo, Enilton André da Silva, também educador, ela cultivava uma variedade de produtos em sua roça, como manivas, bananas e abacaxis. Essa conexão com a terra e os ensinamentos de seus pais foram fundamentais para sua vida e a de seus filhos, que também seguiram o caminho da educação.
Eliza não se limitou ao ambiente escolar; sua influência se estendeu à comunidade, onde ela se destacou como uma líder incansável na luta por melhores condições de vida para os povos indígenas de Roraima. Ela foi uma das fundadoras da Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (Omir) e atuava como coordenadora do Polo de Produção de Grãos, projeto implantado pelo governo local.
Conhecida por sua generosidade e solidariedade, Eliza era a primeira a oferecer ajuda a quem precisasse, mesmo quando seus recursos eram limitados. “Se faltasse um café ou açúcar na casa de alguém, ela não pensava duas vezes antes de repartir o que tinha”, lembra sua filha.
Uma Vida de Luta e Legado
Infelizmente, a professora Eliza Silvino da Silva faleceu em 3 de novembro, aos 61 anos, devido a complicações após cirurgia. Seu legado, no entanto, permanece vivo através de seus dez filhos, que seguem seus passos como educadores, e dos 20 netos e quatro bisnetos que carregam a cultura macuxi em suas veias.
Com a perda de Eliza, Roraima sente a ausência de uma lutadora pelos direitos indígenas, uma educadora que iluminou o caminho para muitos. A sua trajetória inspiradora serve como um exemplo de comprometimento com a educação e a luta pelos direitos das comunidades indígenas, refletindo a força e a resiliência do povo macuxi.
