Uma Importante Descoberta no Parque Nacional
No dia 27 de novembro, um registro notável da harpia (Harpia harpyja), considerada uma das maiores águias do mundo e crucial na cadeia alimentar, foi realizado no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no extremo sul da Bahia. Este flagrante reafirma a relevância desta área, que é um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica no Brasil.
O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, juntamente com o Parque Nacional do Descobrimento e o Parque Pau Brasil, forma um corredor ecológico essencial para a preservação da Mata Atlântica, mantendo florestas que abrigam uma rica biodiversidade. Além de servir como um marco histórico, sendo o primeiro ponto avistado pelos portugueses em 1500, a região é território indígena Pataxó, unindo patrimônio natural, cultural e histórico em um único espaço.
A gestora do parque, Raiane Viana, ressalta que a captura da harpia valida as informações que o monitoramento da biodiversidade tem fornecido nos últimos dois anos. “Apesar de todas as dificuldades e desafios, o monitoramento tem comprovado o contrário do senso comum. A biodiversidade é rica no Monte Pascoal, e este registro evidencia isso de maneira clara”, afirmou.
Valorização do Saber Indígena
Um dos aspectos mais significativos do registro é que a presença da harpia já era conhecida pelas comunidades indígenas da região. “Desde que começamos a discutir sobre o gavião-real, os indígenas já afirmavam que ele estava ali, que já tinham visto. Esse registro é uma validação do saber tradicional indígena”, comenta a gestora.
O registro foi realizado por um grupo de indígenas Pataxó, liderado por Caxiló, um jovem líder da Aldeia Pé do Monte. Ele é um condutor capacitado e monitor da biodiversidade, formado através das iniciativas de gestão do parque. “O fato de o registro ter sido realizado por indígenas, no principal atrativo turístico e natural da unidade, que é a trilha de subida ao Monte Pascoal, confere um significado ainda mais profundo a este momento”, acrescenta Raiane.
Importância da Conservação e Parcerias
A captura da harpia destaca a necessidade de reforçar as ações de monitoramento da biodiversidade e desenvolver parcerias institucionais, especialmente com a participação ativa das comunidades locais, como é o caso do Projeto Harpia.
Além de seu valor ecológico, a harpia é um importante indicador da saúde dos ecossistemas florestais, e este registro demonstra que é possível alinhar os direitos e interesses indígenas à conservação ambiental na Unidade de Conservação. Para o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, a presença da harpia reforça seu papel como uma área de proteção.
