Análise sobre a vulnerabilidade militar do Brasil
Recentemente, a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela evidenciou os perigos que o Brasil e outras nações enfrentam na atualidade. Segundo o ex-primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, os EUA transitam da barbárie à decadência sem nunca terem conhecido a civilização. Essa situação expõe a lei da selva que predomina, onde a superpotência não hesita em empregar a força militar para proteger seus interesses. O Hemisfério Ocidental, abrangendo desde a Groenlândia até a Patagônia, torna-se cada vez mais um “quintal” dos EUA.
Em 2019, publiquei um livro intitulado ‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’. Embora o Brasil possua grandes dimensões geográficas, populacionais e econômicas, a soberania do país não se resume apenas a esses fatos. É essencial que os brasileiros compreendam sua responsabilidade em agir à altura dessas dimensões, o que inclui a disposição de resistir a qualquer agressão externa. Infelizmente, há uma desconexão entre as elites do país e a nação, o que pode resultar em uma submissão a interesses estrangeiros.
Recentemente, as declarações de apoio à intervenção dos EUA na Venezuela por candidatos à presidência de 2026, como Tarcísio e Flávio Bolsonaro, reforçam essa ideia. Esses políticos parecem mais dispostos a servir a interesses externos do que a defender a soberania nacional, fazendo com que a eleição de 2026 seja a mais crucial da história do Brasil.
Recursos e ameaças: O Brasil em um cenário de cobiça
O Brasil possui vastos recursos naturais, tornando-se alvo de interesses estrangeiros, especialmente dos EUA, que buscam garantir acesso a esses bens. Com a captura de Maduro e exigências de Trump, fica clara a vulnerabilidade brasileira. Embora não sejamos o alvo imediato dos EUA, as ameaças são reais, e a situação do nosso vizinho em chamas serve como um sinal de alerta.
É inegável que o Brasil precisa se preparar militarmente. A questão que fica é: essa preparação deve incluir armamento nuclear? Eu sou um defensor de um fortalecimento significativo da defesa nacional. No meu livro mencionado, argumentei que precisamos ter capacidade não para vencer uma superpotência, mas para sinalizar que qualquer ataque resultará em perdas significativas para o agressor.
Entender essa distinção é vital. Temos que possuir um poder de dissuasão, que pode incluir capacidade nuclear. A história nos ensina que países desarmados, como a Líbia e a Síria, foram atacados, enquanto nações com arsenal nuclear, como a Coreia do Norte, não enfrentaram invasões. A lógica é simples: a força impõe respeito.
Geopolítica e a necessidade de um poder militar robusto
Em meio a um cenário internacional conturbado, a vulnerabilidade militar do Brasil se torna um risco existencial. É urgente revisar nossa política de defesa e aumentar os investimentos militares. Embora isso possa parecer dispendioso, é necessário se quisermos preservar nossa independência. Além disso, é essencial ampliar a cooperação militar com países como China e Rússia, não apenas para reforçar nossa segurança, mas também para diversificar nossas relações internacionais.
Todavia, é importante ressaltar que não estamos apenas nos defendendo de países vizinhos. O verdadeiro risco vem de uma superpotência imperial que não hesitará em agir em seus próprios interesses. O Brasil não se pode dar ao luxo de se acomodar em sua posição atual. Precisamos construir um poder de dissuasão enquanto ainda temos tempo.
Um dos desafios é que desde 1864, com a Guerra do Paraguai, o Brasil não sofreu um ataque em seu território. Essa realidade trouxe a falsa sensação de que sempre estaremos em paz. Enquanto outros países, como a China e a Rússia, enfrentaram invasões, nós permanecemos complacentes. Essa mentalidade precisa mudar.
O futuro político e as eleições de 2026
Com a possibilidade de interferência do governo Trump nas eleições de 2026, o Brasil deve estar preparado para resistir a pressões externas. Eleger um líder que se submeta a interesses estrangeiros seria um retrocesso, tornando vital o apoio à reeleição de Lula. Se formos bem-sucedidos, o cenário político mudará, mas as ameaças continuarão a existir.
A história mostra que os EUA têm uma longa tradição de intervencionismo e belicismo. Em um momento de declínio, suas ações podem se tornar ainda mais imprevisíveis e perigosas. Portanto, o Brasil e outras nações precisam estar em alerta, conscientes de que a segurança nacional é uma prioridade que não pode ser negligenciada. Como se diz em inglês, ‘the writing is on the wall’ – é hora de agir.
