A Vulnerabilidade do Brasil
Os recentes desdobramentos envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela revelam um panorama alarmante para o Brasil e outros países da América Latina. Com a superpotência manifestando disposição para usar a força militar em busca de seus interesses, o Hemisfério Ocidental se transforma em um “quintal” dos EUA, como bem destacou Georges Clemenceau, ex-primeiro-ministro francês.
Em 2019, escrevi um livro intitulado “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Essa afirmação reflete a grandeza do nosso país em várias dimensões. No entanto, é preciso ir além dos dados geográficos e econômicos. A verdadeira soberania exige uma convicção interna de que precisamos agir à altura das nossas dimensões, o que inclui resistir a qualquer ameaça externa. Infelizmente, muitos membros da elite brasileira parecem estar mais alinhados aos interesses estrangeiros do que aos do próprio país.
Eleição de 2026: Um Marco Decisivo
Recentemente, diversos candidatos da direita ao cargo de presidente nas eleições de 2026 expressaram apoio à intervenção dos EUA na Venezuela e à captura de Nicolás Maduro. Essa atitude denota que tais candidatos não estão se posicionando como líderes nacionais, mas sim como vassalos do imperialismo americano, similar a versões brasileiras de figuras como Javier Milei. Ao considerarmos essas postura, a eleição de 2026 se revela não apenas crucial, mas uma questão de sobrevivência nacional.
O Brasil, com suas vastas riquezas e recursos naturais, sempre será alvo de cobiça estrangeira, especialmente por parte dos Estados Unidos, que buscam garantir acesso facilitado a essas riquezas. O sequestro de Maduro e a exigência de acesso ao petróleo venezuelano demonstram que somos parte de uma engrenagem maior, correndo riscos sem precedentes.
Preparação Militar: Uma Necessidade Urgente
Em meio a este cenário, surge a questão: o Brasil deve se preparar militarmente? E, por que não, incluir armamento nuclear em sua estratégia de defesa? Eu sou um defensor há muito tempo da necessidade de reforçar o nosso aparato de defesa nacional. Em um trecho do meu livro, argumento que devemos ser militarmente capazes de sinalizar aos agressores que qualquer ataque resultará em consequências severas para eles.
Entender essa distinção é essencial. A capacidade de dissuasão, incluindo a nuclear, está ao nosso alcance, enquanto a vitória sobre uma superpotência é irrealista. A história recente nos oferece lições inegáveis: países que não possuem armas nucleares, como a Líbia, Síria, Iraque e Afeganistão, sofreram ataques. Em contrapartida, a Coreia do Norte, que possui armas nucleares, nunca foi atacada.
O Desafio da Defesa Nacional
Apesar disso, os desafios para implementar uma política de defesa robusta no Brasil são numerosos. Historicamente, o país tem vivido em um estado de paz prolongada, desde a Guerra do Paraguai. Essa inércia histórica nos deixou mal acostumados e despreparados para a realidade atual, que exige que repensemos nossa postura militar diante das agressões externas.
Não estamos no topo da lista de alvos dos EUA, mas a ameaça está próxima. O tempo urge, e temos que aproveitar a janela de oportunidade para estabelecer um poder de dissuasão efetivo. As eleições de 2026, sob a possível interferência do governo Trump, exigem que estejamos alerta e prontos para agir.
A Importância da Coesão Nacional
A defesa da reeleição de Lula torna-se uma questão central. Se conseguirmos garantir sua permanência no poder, poderemos mudar a dinâmica a partir de 2027. No entanto, isso não elimina a possibilidade de que enfrentemos ameaças diretas e unilaterais, com a intenção de forçar a rendição brasileira.
É vital que não subestimemos a longa tradição imperial dos Estados Unidos, que continua a ser uma superpotência em declínio, mas que ainda assim representa uma grande ameaça a países como o Brasil. O alerta está dado: o mundo está mudando, e a sobrevivência da nossa nação depende da nossa capacidade de nos defendermos e de nos unirmos em torno de uma política de defesa forte.
