Capacitação de Educadores para o Povo Sanöma
O Governo Federal deu um passo significativo na educação indígena ao iniciar a formação de dez educadores para implementar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no território Yanomami, localizado em Roraima. Essa atuação visa atender 35 comunidades do povo Sanöma e faz parte do curso denominado “Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização”. O programa é um esforço contínuo do governo para estabelecer ações duradouras e estruturantes na Terra Indígena Yanomami (TIY), com foco na proteção e fortalecimento da gestão territorial, soberania alimentar, além da valorização das línguas e culturas locais.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, destacou a importância da educação como um direito fundamental e uma ferramenta essencial para garantir o acesso a direitos sociais, civis e políticos. Em sua fala durante a cerimônia de abertura em Boa Vista (RR), que aconteceu na segunda-feira (5), Wapichana ressaltou: “A educação é uma ferramenta que assegura o acesso a direitos territoriais e sociais.” Essa capacitação é ainda mais relevante, considerando a crise humanitária que o território enfrenta, especialmente após os impactos negativos do garimpo ilegal entre 2021 e 2022, que afetaram a saúde, o meio ambiente e a segurança alimentar das comunidades locais.
“A capacitação integra o conjunto de ações do Governo Federal para garantir soberania alimentar e nutricional, proteção social e territorial e geração de renda para os povos que vivem no território”, afirmou a presidenta, relembrando as medidas emergenciais previamente adotadas e agora, ações estruturantes voltadas à autonomia das comunidades.
Participação Indígena na Formação Educacional
Segundo Adriana Santos, coordenadora do curso na UFRR, a equipe de educadores é formada por professores de diversas disciplinas, incluindo matemática, português, e história, que se dedicarão à formação de estudantes indígenas a partir do sexto ano. Este curso será ministrado por profissionais que possuem experiência no território, com o objetivo de garantir o respeito pelas culturas, tradições e identidade dos povos indígenas.
“Nosso trabalho agora é implementar uma prática docente distinta da escola convencional, uma abordagem que respeite a identidade cultural dos Sanöma”, explica Santos. A coordenadora enfatiza a importância de desconstruir a ideia de uma escola preconcebida e abrir-se para um novo processo junto aos Sanöma, promovendo uma educação que reflita as especificidades culturais do povo.
Antes do início das atividades, haverá um diálogo com o povo Sanöma para construir a grade curricular de forma conjunta. “Estamos criando um projeto inovador onde a universidade vai ao encontro do território para oferecer educação básica. O fortalecimento das escolas dentro das comunidades é crucial, e nossa missão é levar as bases necessárias para que essa política pública se consolide”, complementa Adriana Santos.
Reunião de Planejamento e Próximas Ações
Na terça-feira (6), Joenia Wapichana, acompanhada da diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta, participou de uma reunião de planejamento da Força-Tarefa Yanomami Ye´kwana, coordenada pela Funai. O encontro teve como foco o acompanhamento das ações realizadas em 2025, além do planejamento das atividades para 2026 e o balanço dos projetos relacionados ao etnodesenvolvimento.
Durante a reunião, foram discutidas ações do governo que visam incentivar a produção de alimentos, a criação de aves, a aquicultura e a pesca, além de implementar roçados e oferecer cursos sobre segurança alimentar e gestão territorial para as comunidades indígenas. O evento proporcionou um espaço rico em apresentações, diálogos e trocas de experiências, essenciais para o fortalecimento das estratégias e o alinhamento das ações futuras.
Um dos pontos altos foi a apresentação do Plano Integrado Interinstitucional, que delineia as ações a serem executadas em 2026 e os avanços já conquistados pelos projetos. Essa iniciativa representa um compromisso contínuo do Governo Federal em promover a autonomia e a dignidade dos povos indígenas, reafirmando que a educação é um pilar fundamental para a construção de um futuro sustentável e respeitoso com as tradições e culturas do povo Sanöma.
