Capacitação de Educadores para o Povo Sanöma
O Governo Federal deu início a uma importante iniciativa de formação de educadores no território Yanomami, localizado em Roraima. Dez profissionais da educação receberão capacitação especializada para implementar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 35 comunidades do povo Sanöma. Essa ação faz parte do curso de formação intitulado ‘Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização’. A proposta visa não apenas a educação, mas também a proteção e o fortalecimento da gestão territorial, soberania alimentar e das múltiplas culturas do povo Sanöma, refletindo os esforços do Governo para realizar ações permanentes na Terra Indígena Yanomami (TIY).
A presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, destacou a relevância da educação como um direito fundamental e uma ferramenta vital para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos. Durante a solenidade de abertura do curso, realizada em Boa Vista (RR), ela enfatizou que a educação é essencial para a dignidade humana. “A educação é um direito fundamental de todos e uma ferramenta para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos”, ressaltou.
Joenia Wapichana também chamou atenção para a crise humanitária enfrentada pelo território Yanomami após o avanço do garimpo ilegal entre 2021 e 2022. A ação do governo se torna ainda mais crucial nesse contexto, visando garantir a soberania alimentar, proteção social e territorial, além de criar oportunidades de geração de renda para as comunidades. “A capacitação é parte das ações do Governo para assegurar a soberania alimentar e nutricional, além da proteção social e territorial”, afirmou.
Formação e Participação Indígena
Coordenado pelo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o curso conta com o apoio financeiro da Funai, do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O projeto é inovador, pois busca levar profissionais capacitados diretamente para a TIY, fortalecendo práticas pedagógicas que considerem os aspectos socioculturais e históricos do povo Sanöma.
A equipe de educadores será composta por especialistas de diversas áreas, como matemática, português, geografia, história, artes, educação física e pedagogos, que atuarão na formação de estudantes indígenas a partir do sexto ano. Segundo a coordenadora do curso pela UFRR, Adriana Santos, o objetivo é garantir que a educação respeite e fortaleça as culturas e tradições do povo Sanöma. “Nosso trabalho agora é implementar uma prática docente diferenciada, que respeite a identidade cultural dos Sanöma e desconstrua conceitos preconcebidos sobre a educação regular”, afirmou.
Antes do início das atividades, o povo Sanöma será consultado para que a grade curricular das aulas seja construída em conjunto, assegurando que reflita suas realidades e necessidades. Adriana Santos ressaltou a importância de esse projeto ser uma iniciativa em que a universidade vai ao encontro das comunidades, fortalecendo a política pública dentro do território. “Imagine o impacto positivo que teremos com escolas fortalecidas nas comunidades e uma política pública que realmente atenda as necessidades locais”, comentou.
Planejamento e Ações Futuras
No dia seguinte, Joenia Wapichana se reuniu com a diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lúcia Alberta, para discutir o planejamento e acompanhamento das ações da Força-Tarefa Yanomami Ye’kwana (FTYY). Durante o encontro, foram avaliadas as ações executadas em 2025 e discutidas as estratégias para 2026, com foco no etnodesenvolvimento e nas intervenções realizadas em parceria com outras instituições.
Entre as ações planejadas pelo Governo no território estão incentivos à produção alimentar, à avicultura, aquicultura e pesca, além da implementação de roçados e cursos de formação relacionados à segurança alimentar e gestão territorial. O encontro promovido foi um espaço rico de troca de experiências e debate, com o intuito de reforçar as estratégias e alinhar as futuras ações. O Plano Integrado Interinstitucional também foi apresentado, destacando as iniciativas que serão desenvolvidas em 2026 e os avanços já conquistados pelos projetos.
