Uma Nova Perspectiva no Rap Indígena
A rapper indígena da etnia Guarani Kaiowá, MC Anarandà, lançou no dia 30 de setembro, em seu canal no YouTube, o videoclipe da música “Jasy Tatá”, que em português significa “A Lua de Fogo”. Este lançamento marca um novo capítulo em sua carreira artística, apresentando uma proposta audiovisual inédita, que foi totalmente desenvolvida em chroma key e incorpora um uso intenso de efeitos visuais (VFX). Assim, a tecnologia e a ancestralidade se entrelaçam para contar uma narrativa potente, sensível e atual.
Diferente de seus trabalhos anteriores, como “Feminicídio”, “As Lembranças da Minha Avó” e “Mãe”, que se concentravam em uma estética conectada ao território da aldeia e abordagens documentais da realidade vivida pela artista, “Jasy Tatá” se destaca por sua ousadia visual. O videoclipe afasta-se do registro realista e mergulha em paisagens simbólicas, animações e cenários digitais, expandindo o universo narrativo da obra.
Neste projeto, a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas torna-se uma linguagem à parte, guiando os espectadores por ambientes que dialogam com a força da música, a memória e a espiritualidade dos povos originários. O resultado é uma obra que não apenas respeita, mas também propõe novos horizontes para o audiovisual indígena, sem abrir mão de suas raízes.
Integrando Contemporaneidade e Ancestralidade
Na narrativa do videoclipe, MC Anarandà se posiciona como protagonista, unindo a contemporaneidade à ancestralidade em uma estética visual imersiva. O clipe convida o público a um encontro entre corpo, voz e imagem, explorando novas formas de representação e expressão dentro do rap indígena. “Eu compus essa música ouvindo a lua falar comigo. Jasy Tatá é o fogo sagrado que guia meus passos. Cada verso nasceu da memória da terra e da força dos meus ancestrais. Minha inspiração foram os jovens do meu território. Minha voz é canto, reza e resistência — uma voz que a lua reconhece”, comentou Anarandà.
A direção do videoclipe é de responsabilidade da documentarista Marineti Pinheiro, que enfatiza o caráter experimental do projeto. “O clipe surgiu como uma folha em branco, onde algo novo precisava ser criado dentro da estética conceitual da Anarandà. O lugar da criação e da inovação sempre traz desafios. Por isso, a opinião e a crítica do público são fundamentais. Não conseguimos validar esse trabalho sozinhos — precisamos do olhar de quem assiste”, declarou.
A concepção visual do projeto contou com a colaboração de Éder Cadete, que ficou responsável pelo figurino, maquiagem, cabelo e preparação da artista. Segundo ele, “Trabalhar com a Anarandà é adentrar um mundo encantado. Ela é extremamente talentosa e receptiva às propostas, sempre envolvendo-se em um diálogo rico e produtivo durante todo o processo criativo”.
Fusão de Tradição e Inovação Sonora
A direção musical e a produção do álbum estão a cargo de Vinil Moraes, que ressalta o encontro entre tradição e inovação sonora. “Foi uma experiência gratificante dirigir musicalmente e produzir o álbum da MC Anarandà. Juntamos a habilidade do produtor musical Wagner Bagão com instrumentos ancestrais gravados diretamente pelos Guarani Kaiowá. A versatilidade da Anarandà garantiu que as músicas atingissem o ponto ideal, para que todos pudessem se conectar com o rap indígena. Estamos firmes no caminho, seguindo na direção correta”, afirma.
O videoclipe “Jasy Tatá” faz parte do projeto “Pehendu Ore NÊ’Ê – Escuta nossas vozes” e foi realizado com recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) do Governo do Estado, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
O lançamento ocorreu às 20h no YouTube, e pode ser acessado por meio deste link: Jasy Tatá – MC Anarandà. Para mais conteúdos sobre o processo criativo, confira o making off disponível no Instagram: Making Off.
