Tragédia em Aldeia Taquaperi
Na última semana, o povo Guarani Kaiowá foi abalado pela morte brutal de Lúcio, um líder indígena e vice-cacique, assassinado na porta de sua casa na Aldeia Taquaperi, em Mato Grosso do Sul. De acordo com relatos de familiares, Lúcio estava em frente à residência quando um homem se aproximou, questionando se ele vendia gasolina. Com a resposta negativa, o criminoso sacou uma arma e disparou contra o vice-cacique.
A fatalidade, apontada por familiares como possivelmente ligada a dívidas de Lúcio com vendedores ambulantes, incluindo um comerciante de origem paraguaia, destaca os desafios que os líderes indígenas enfrentam em suas comunidades. A violência não apenas ceifa vidas, mas também desestabiliza a liderança e a organização dos povos indígenas, deixando um vácuo de representação e suporte.
Manifestação de Repúdio e Exigências de Justiça
A Assembleia Geral do Povo Kaiowá e Guarani e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) se manifestaram publicamente em nota de repúdio, lamentando a morte do líder indígena. A nota, que expressa a indignação da comunidade, afirma: ‘Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao brutal assassinato de uma vice-liderança do povo Guarani Kaiowá, ocorrido dentro de seu próprio território. Este ato de violência extrema representa não apenas a perda de uma liderança fundamental para sua comunidade, mas também um grave ataque aos direitos dos povos indígenas, à vida, à dignidade e à autonomia territorial.’
A nota ainda ressalta a inaceitabilidade da continuidade de assassinatos de lideranças indígenas em seus próprios territórios, que deveriam ser considerados como espaços de proteção e respeito. A impunidade, alertam os líderes, alimenta novos crimes e perpetua um ciclo de insegurança e injustiça contra os povos originários.
Demandas por Respeito e Justiça
Em resposta à tragédia, a Apib exige que o governo e as autoridades competentes respeitem os direitos do povo Guarani Kaiowá e realizem uma investigação minuciosa sobre o assassinato. ‘Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização dos autores e mandantes, e justiça imediata’, enfatizam os representantes do movimento. Eles reafirmam que ‘nenhuma vida indígena é descartável’ e que a luta pela defesa do território é um direito legítimo que deve ser respeitado.
A comunidade da Aldeia Taquaperi, em luto, recebe a solidariedade de todos que apoiam a causa indígena. A luta por justiça e pela memória de Lúcio se alinha à defesa dos direitos fundamentais dos povos indígenas. A Apib finaliza sua nota, reafirmando a necessidade de persistir na luta por justiça, memória e pela garantia dos direitos dos povos indígenas, destacando que incidentes como esse não devem se repetir e que a segurança dos líderes indígenas deve ser uma prioridade.
