Indústria gaúcha enfrenta 15 meses consecutivos de pessimismo
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei-RS), recentemente divulgado pelo Sistema Fiergs, indica uma leve queda em fevereiro em relação a janeiro, passando de 46,3 para 46 pontos. Esse afastamento da linha dos 50 pontos é um sinal alarmante, que sugere um aumento na desconfiança entre os empresários da região. A pesquisa revela que já são 15 meses seguidos de avaliações negativas, um reflexo claro da situação preocupante enfrentada pelo setor.
Segundo a Fiergs, a persistência das taxas de juros elevadas e as tarifas impostas pelos Estados Unidos, juntamente com incertezas fiscais e regulatórias, como as propostas em discussão para a redução da jornada de trabalho, são fatores que contribuem para este quadro adverso. Com uma economia que parece estagnada, os industriais gaúchos expressam sua insatisfação com os desafios atuais.
O Icei-RS também apresentou dados sobre o índice de condições atuais, que variou de 41,7 pontos em janeiro para 41,6 em fevereiro. Essa leve oscilação indica que a percepção de deterioração continua, especialmente se considerarmos os últimos seis meses. Embora tenha havido uma leve melhora no índice de condições da economia brasileira, que subiu 0,4 ponto, de 36,3 para 36,7, o número ainda está muito abaixo da linha de 50, que é considerada a zona de confiança.
Os números são desanimadores: 51,1% dos empresários afirmaram que a situação piorou ou piorou muito, enquanto apenas 4,3% relataram uma melhora significativa. O que isso significa? Que a maioria dos industriais gaúchos está vivendo um momento de grande incerteza e apreensão.
Além disso, o índice de expectativas também teve uma leve queda em fevereiro, com uma diminuição de 0,3 ponto, situando-se agora em 48,2. Este indicador permanece abaixo dos 50 pontos desde junho de 2025, sinalizando que a desconfiança em relação ao futuro é uma constante entre os empresários gaúchos. Isso significa que, por oito meses consecutivos, eles têm uma visão negativa sobre os próximos seis meses.
Entre os diversos indicadores que compõem o índice de expectativas, destaca-se o que se refere às próprias empresas, que caiu 1,2 ponto, alcançando 52,2. Esse número, embora ainda indique otimismo, mostra que a confiança dos empresários diminuiu em relação a janeiro de 2026. Por outro lado, o Índice de Expectativas da Economia Brasileira avançou 1,5 ponto, subindo para 40,3, o que representa o maior valor registrado desde junho do ano passado. Contudo, mesmo assim, a situação ainda está muito distante da linha dos 50 pontos, o que sugere uma perspectiva de deterioração da economia nacional.
A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 12 de fevereiro, antes da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que ocorreu na sexta-feira (20) e declarou ilegais algumas tarifas impostas ao Brasil. A decisão pode ter implicações significativas para a indústria gaúcha, mas, por enquanto, as incertezas continuam dominando o cenário.
