Regulamentação Inovadora para a Mobilidade Aérea
O Brasil está prestes a dar um passo significativo em direção à mobilidade aérea avançada, com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abrindo uma consulta pública até 16 de março. O objetivo é criar uma categoria de licença específica para pilotos de eVTOL, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical. Essa iniciativa não apenas regulamenta a operação dessas novas aeronaves, mas também promete transformar a maneira como pilotos são treinados.
A nova proposta representa uma mudança estrutural que ultrapassa os limites da aviação tradicional. Ao estabelecer regras específicas para a formação de pilotos de eVTOL, o Brasil coloca a mobilidade aérea não mais como uma mera ideia no futuro, mas como uma realidade regulatória iminente.
Nova Categoria de Habilitação e Processo de Formação
Com a proposta da Anac, haverá uma alteração no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil número 61, que atualmente define os requisitos para licenças e habilitações de profissionais da aviação. A intenção é criar uma habilitação exclusiva para pilotos de eVTOL, que incluirá um treinamento especializado e uma experiência supervisionada em operações típicas dessas aeronaves inovadoras.
Após a conclusão do processo formativo, os profissionais que se habilitarem deverão passar por exames práticos para comprovar suas habilidades. Essa consulta pública, que se estende até 16 de março, foi aberta para receber contribuições de pilotos, organizações de treinamento, fabricantes, operadores e especialistas do setor, todos com o intuito de moldar essa nova realidade.
Período de Transição para Pilotos já Licenciados
A Anac planeja uma fase inicial de transição, permitindo que pilotos já licenciados de avião e helicóptero se adaptem ao novo sistema. Durante este período, esses profissionais poderão acumular experiência operacional e evidências regulatórias que auxiliarão na estruturação das exigências de formação específicas para os eVTOL. Esse processo poderá até mesmo dispensar a necessidade de experiência prévia em outras categorias para quem deseja atuar como piloto de carros voadores no futuro.
Perspectivas de Mercado e a Evolução da Profissão
A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil vê a introdução dos eVTOL como uma oportunidade de criação de novas vagas de emprego. Segundo a entidade, a adaptação tanto teórica quanto prática será necessária conforme as regulamentações da Anac forem implementadas. Entretanto, a visão para o longo prazo levanta uma questão: será que os carros voadores terão, de fato, pilotos a bordo? A expectativa é que as operações possam evoluir para sistemas não tripulados.
Inicialmente, contar com um piloto em versões iniciais das aeronaves pode ajudar a superar as barreiras culturais relacionadas ao uso dessas novas tecnologias. Contudo, à medida que a aceitação do mercado se solidificar, a tendência é que as aeronaves operem de forma remota, transportando passageiros sem a necessidade de um piloto embarcado.
eVTOL: A Nova Fronteira Verde da Aviação
Os eVTOL estão atualmente em fase de desenvolvimento e testes, destacando-se como um dos caminhos mais promissores para o futuro da aviação. Por serem totalmente elétricos, esses veículos não dependem de combustíveis fósseis, posicionando-se como uma solução sustentável e aliada à transição para uma economia de baixo carbono. Em 2024, a Anac já publicou critérios finais de aeronavegabilidade para esses modelos, que definem padrões de segurança relacionados à estrutura, sistemas de controle, propulsão e baterias.
Iniciativas da Embraer e o Futuro da Mobilidade Aérea
A Embraer, através de sua subsidiária Eve Air Mobility, se destaca como uma das pioneiras globais no desenvolvimento de eVTOL. A fábrica da empresa em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, está focada em viabilizar esses veículos para o mercado. O primeiro voo de um protótipo ocorreu no final de dezembro e, mais recentemente, a Eve firmou um contrato com a japonesa AirX para a venda de duas unidades, com entregas previstas para 2029.
O projeto conta com apoio financeiro de instituições como o BNDES e a Finep, reforçando o papel do Brasil na corrida pela implementação de carros voadores. As movimentações da Anac e os avanços da Embraer sinalizam que o que antes era considerado ficção científica começa a tomar forma no Brasil, com regulamentação, investimentos públicos e parcerias internacionais colocando o país na vanguarda da mobilidade aérea avançada.
Agora, a pergunta que fica é: será que os carros voadores se tornarão uma realidade palpável nas cidades brasileiras nos próximos anos? A sua opinião é importante e pode ser compartilhada conosco.
