Investimentos Bilionários no Setor de Energia
O Plano Decenal de Energia (PDE), divulgado oficialmente nesta terça-feira (12), projeta um investimento de R$ 3,5 trilhões no setor energético do Brasil até 2035. Desse montante, aproximadamente 80% será destinado à indústria de petróleo e gás natural. De acordo com o plano, a produção de petróleo deve alcançar cerca de 4,9 milhões de barris por dia (b/dia) em 2035, o que representa um aumento de cerca de 44% em comparação ao volume estimado para 2024. Este documento está acessível para consulta pública.
Para viabilizar esse crescimento na produção, o PDE prevê a operação de 28 novas Unidades Estacionárias de Produção (UEPs) entre 2026 e 2035. Os investimentos em exploração e produção (E&P) variam entre US$ 414 bilhões e US$ 442 bilhões durante o período de dez anos.
Perspectivas para a Produção e Reservas
Conforme o PDE, a produção sustentada por recursos classificados como reservas deve atingir seu pico em 2031. Em 2035, a combinação da Cessão Onerosa e os volumes sob regime de concessão deverão representar cerca de 54% da produção proveniente dessa categoria. Vale ressaltar que, sem a contribuição dos contratos de partilha de produção, a extração no final do período ficaria em torno de 2 milhões de barris por dia.
A produção oriunda de recursos contingentes é predominantemente sustentada pelas acumulações do pré-sal nas bacias de Santos e Campos, além das descobertas em águas profundas e ultraprofundas nas bacias Potiguar e Espírito Santo-Mucuri. Essas áreas têm a expectativa de concentrar 91% da produção estimada de recursos contingentes ao final do decênio.
Regime Contratual e Gás Natural
Em termos de regime contratual, o PDE prevê que, em 2035, os contratos de concessão deverão representar 50% da produção nacional de petróleo. Os contratos de partilha de produção terão uma participação de 38%, enquanto a Cessão Onerosa deverá responder por cerca de 11% da produção.
No segmento de gás natural, a maior parte da produção projetada será de gás associado ao petróleo. As bacias de Campos e Santos devem ser responsáveis conjuntamente por cerca de 90% do total previsto para 2035, destacando-se a contribuição do pré-sal. O gás não associado terá como principais polos as unidades produtivas de Campos, Parnaíba, Solimões, Sergipe-Alagoas, Amazonas e Alagoas.
Expectativas de Demanda e Investimentos em Gás Natural
A previsão de investimentos para a expansão da infraestrutura de gás natural é de R$ 182,80 bilhões. Desses, cerca de R$ 15,80 bilhões estão destinados a projetos já previstos, enquanto R$ 167 bilhões referem-se a projetos indicativos.
A demanda por gás natural deve aumentar durante todo o período, com um crescimento médio projetado de 6,2% ao ano. Os setores industrial, residencial, comercial e automotivo apresentarão um crescimento mais moderado, característico da maior estabilidade desses segmentos. A demanda de gás na malha integrada deve alcançar cerca de 130 milhões de m³/dia em 2035, somando aproximadamente 220 milhões de m³/dia em todo o Brasil no mesmo ano.
Já a oferta potencial nacional da malha integrada deve crescer de cerca de 46 milhões de m³/dia em 2025 para aproximadamente 85 milhões de m³/dia até 2035, com 73% desse total proveniente do pré-sal ao final do período. No entanto, para que essa oferta se concretize, é imprescindível a efetivação das infraestruturas de escoamento e processamento previstas.
Resumo da Expansão Prevista no PDE 2035
O PDE 2035 traz uma ampla gama de previsões de expansão nos setores de energia, incluindo:
- Hidrelétricas (UHEs): 3.622 MW de expansão, com 48 MW contratados.
- Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs): 4.314 MW.
- Usinas Termelétricas (UTEs): 33.205 MW, com 5.558 MW já contratados.
- Energia Eólica: 14.487 MW, sendo 887 MW contratados.
- Usinas Fotovoltaicas: 8.947 MW, com 3.341 MW contratados.
Essas projeções revelam uma trajetória robusta para o setor energético brasileiro, com foco na diversificação das fontes e no aumento da capacidade produtiva.
